Arqueologia egípcia revela práticas funerárias antigas com moedas de ouro na boca dos mortos
Escavações simultâneas no Egito descobrem cidade bizantina do século IV com igreja doméstica e túmulos ptolemaicos com rituais da 'língua de ouro'

No deserto ocidental do Egito, arqueólogos descobriram evidências concretas de como viviam e morriam comunidades antigas. Duas missões arqueológicas simultâneas revelaram estruturas urbanas bizantinas e práticas funerárias dos períodos ptolemaico e romano.
As descobertas oferecem um retrato tangível da vida quotidiana no Oásis de Dakhla durante o século IV e dos rituais de sepultamento praticados em Marina el-Alamein. Entre os achados mais notáveis está a prática conhecida como 'língua de ouro', onde moedas de ouro eram colocadas na boca dos mortos segundo crenças da época.
A estrutura urbana bizantina no Oásis de Dakhla
A descoberta da cidade oferece novos detalhes sobre a vida quotidiana, o desenvolvimento urbano e as atividades económicas no Oásis de Dakhla durante o século IV. As escavações revelaram bairros com ruas que formavam praças e espaços públicos.
O responsável da missão arqueológica, Mahmoud Massoud, disse que também foi encontrada uma igreja com vista para as ruas principais da cidade. Entre as estruturas identificadas encontra-se também a residência de Tisous, um diácono da igreja, datada da segunda metade do século IV.
Os arqueólogos acreditam que essa residência funcionava como igreja doméstica antes da construção da basílica da cidade.
Fragmentos de cerâmica revelam transações comerciais
Diaa Zahran, chefe do Departamento de Antiguidades Islâmicas, Coptas e Judaicas do Ministério do Turismo e Antiguidades, revelou a descoberta de cerca de 200 fragmentos de cerâmica utilizados como suporte de escrita. Segundo o The Guardian, esses fragmentos detalham vários aspectos do quotidiano, incluindo transações comerciais.
Foram também encontrados fornos de pão, cozinhas e utensílios de pedra ligados à produção de alimentos. Moedas de bronze com efígies de imperadores bizantinos complementam o conjunto de achados.
Túmulos ptolemaicos e romanos em Marina el-Alamein
A segunda missão arqueológica descobriu 18 túmulos dos períodos ptolemaico e romano em Marina el-Alamein, situado a cerca de 100 quilómetros a oeste de Alexandria. O sítio foi descoberto em 1986.
O local é apontado pelos investigadores como a antiga cidade portuária greco-romana de Leukaspi, construída no século II.
A prática funerária da 'língua de ouro'
Entre os achados está um sarcófago de granito com 2,5 metros de comprimento. No interior foram identificados restos mortais, os restos de uma estátua de esfinge de gesso e quatro moedas de ouro.
Segundo Eman Abdel-Khaliq, a responsável pela missão arqueológica, as moedas estavam colocadas na boca de alguns dos mortos. Esta é uma prática funerária conhecida como 'língua de ouro' e associada às crenças da época.
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