Aplicar azeite de oliva no cabelo realmente funciona? Entenda quais são os benefícios e como utilizar
O ingrediente também pode ser usado para embelezar e cuidar dos fios, seguindo as recomendações de especialistas

O azeite de oliva, conhecido por seus benefícios à saúde e por seu uso na culinária, também vem conquistando espaço na rotina de cuidados com os cabelos. Nas redes sociais, não faltam relatos de pessoas que apostam nesse ingrediente para deixar os fios mais macios, brilhantes e alinhados. Mas será que ele realmente funciona? E quais são os cuidados necessários para aproveitar seus benefícios?
A ideia pode parecer uma novidade, mas o uso de óleos vegetais na beleza é uma prática antiga. O azeite de oliva, por exemplo, já fazia parte dos cuidados pessoais de povos como os egípcios e os gregos há milhares de anos. Hoje, sua popularidade voltou a crescer, impulsionada pela busca por alternativas acessíveis e naturais para cuidar dos cabelos.
Quais são os benefícios do azeite de oliva para os cabelos?
O azeite de oliva contém ácidos graxos e compostos antioxidantes, como os polifenóis, que podem contribuir para a proteção e a melhora da aparência dos fios.
A professora de Ciências Biológicas Carolina Calloway, em entrevista à revista espanhola Cuerpomente, destaca o potencial desses componentes. Os ácidos graxos ajudam a amaciar a fibra capilar, enquanto os antioxidantes contribuem para combater os efeitos dos radicais livres, moléculas associadas ao estresse oxidativo.
Na prática, o uso do azeite pode ser especialmente interessante para cabelos secos, ásperos ou com frizz. De acordo com Vanesa Odiaga, técnica em cosméticos, o ingrediente ajuda a deixar os fios mais macios, maleáveis e brilhantes.
Outro ponto importante é a estrutura do cabelo. A fibra capilar é formada principalmente por proteínas, e a perda dessas estruturas pode comprometer sua resistência. Rocío Lajarín, doutora em Farmácia, explica que determinados óleos podem ajudar a reduzir a perda de proteínas e melhorar a resistência dos fios.
Pesquisas sobre tratamentos emolientes também indicam que o azeite pode contribuir para proteger a superfície capilar e preservar a integridade da cutícula, camada externa responsável por ajudar a proteger o fio. A dermatologista Ana Molina, também em entrevista à Cuerpomente, destaca justamente essas propriedades emolientes e protetoras como fatores importantes para reduzir determinados tipos de danos.
Além disso, o azeite pode ajudar a controlar o frizz, principalmente quando o cabelo está ressecado. Seus componentes lipídicos favorecem uma aparência mais alinhada e um toque mais suave, tornando os fios visualmente mais saudáveis.
Azeite de oliva faz o cabelo crescer?
Essa é uma das dúvidas mais comuns sobre o uso do ingrediente, especialmente diante das promessas que circulam nas redes sociais.
Apesar de seus benefícios cosméticos, não há evidências clínicas robustas suficientes para afirmar que a aplicação direta de azeite de oliva acelera o crescimento dos cabelos ou aumenta sua densidade. O crescimento capilar depende de diversos fatores, como genética, hormônios, alimentação, saúde do couro cabeludo e condições clínicas específicas.
A dermatologista Ana Molina aponta que alguns compostos vegetais, incluindo substâncias com atividade hormonal, podem ser estudados por seus possíveis efeitos sobre os mecanismos envolvidos no crescimento capilar. Entretanto, isso não significa que a aplicação de azeite de oliva no couro cabeludo tenha eficácia comprovada contra a queda ou seja capaz de estimular o crescimento de novos fios.
Vanesa Odiaga reforça que o principal benefício do azeite é cosmético: ele melhora a aparência, a maciez e a maleabilidade do cabelo, mas não deve ser considerado um tratamento para a queda capilar nem uma solução para danos estruturais profundos.
Também vale lembrar que a alimentação influencia a saúde dos fios. A nutricionista Marta Marcé destaca a importância das gorduras saudáveis e de uma ingestão adequada de nutrientes para a manutenção da estrutura capilar. No entanto, o uso tópico do azeite não substitui uma alimentação equilibrada nem corrige, por si só, deficiências nutricionais associadas à queda.
Como usar o azeite de oliva no cabelo?
Se a intenção é melhorar a maciez e o brilho, alguns cuidados simples podem tornar a aplicação mais prática.
O primeiro é utilizar pequenas quantidades. Como o azeite é um óleo denso, o excesso pode deixar os fios pesados, com aspecto oleoso e mais difíceis de lavar.
Uma forma de aplicação é distribuir uma pequena quantidade do produto no comprimento e nas pontas, evitando concentrá-lo na raiz. Essa estratégia costuma ser mais adequada para quem deseja reduzir o ressecamento sem aumentar a oleosidade do couro cabeludo.
O cabeleireiro Glenn Ellis também recomenda atenção ao enxágue e sugere combinar o azeite com um pouco de condicionador para facilitar a remoção. Ainda assim, é importante observar como cada cabelo reage e evitar deixar o produto por períodos prolongados se isso causar desconforto ou dificultar a lavagem.
Cabelos finos, por exemplo, podem perder o movimento com facilidade quando recebem óleos muito pesados. Já os fios naturalmente oleosos podem ficar com uma aparência ainda mais carregada. Nesses casos, a moderação é fundamental.
Quais são os riscos e as contraindicações?
Apesar de ser um ingrediente comum e acessível, o azeite de oliva não é indicado para todas as pessoas ou situações.
O cirurgião dermatologista Jack Levy alerta que, em pessoas predispostas, a aplicação de determinados óleos no couro cabeludo pode favorecer condições associadas à proliferação do fungo Malassezia, que participa do desenvolvimento da dermatite seborreica e pode agravar a caspa. Por isso, quem apresenta descamação, coceira ou oleosidade excessiva deve ter cuidado ao aplicar azeite diretamente nessa região.
Pessoas com doenças dermatológicas, como a psoríase, também precisam de orientação profissional. O azeite não deve ser utilizado como tratamento único para essas condições e não substitui medicamentos prescritos por um dermatologista.
Outro cuidado importante é observar a reação da pele. Se houver irritação, coceira ou piora da descamação após o uso, o ideal é interromper a aplicação.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



