UFLA avança em pesquisa inédita com cannabis medicinal em Minas Gerais

Universidade obtém autorizações raras da Anvisa e CTNBio para cultivo in vitro e edição genética visando medicamentos mais acessíveis.

Objetivo dos cientistas é criar plantas que já nasçam com baixo teor de THC, o que hoje é um grande desafio para a indústria.

A Universidade Federal de Lavras (UFLA) consolidou-se como referência nacional ao reunir credenciamentos inéditos para o estudo da Cannabis sativa. O projeto, coordenado pela professora Vanessa Cristina Stein, é o primeiro do Brasil autorizado simultaneamente pela Anvisa e pela CTNBio para realizar o cultivo in vitro e a manipulação genética da planta com fins estritamente científicos e medicinais.

Diferente de cultivos convencionais, o trabalho na UFLA ocorre exclusivamente em ambiente controlado de laboratório, sem plantio em campo ou produção para comercialização direta. O foco da pesquisa, que já soma 15 anos de estudos, é utilizar a biotecnologia e a edição gênica para desenvolver plantas que cresçam com teor reduzido de THC (composto psicoativo) e maior estabilidade de CBD (canabidiol).

A iniciativa resolve um problema crítico da indústria farmacêutica: a oscilação natural de compostos na planta. “Buscamos desenvolver plantas que já cresçam com teor reduzido de THC, diminuindo a necessidade de processos químicos posteriores”, explica a coordenadora Vanessa Stein. O objetivo final é reduzir custos industriais e ampliar o acesso da população a tratamentos de qualidade.

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O projeto conta com o apoio financeiro da FAPEMIG e uma parceria estratégica com a empresa Ease Labs. Atualmente, a farmacêutica importa insumos de países como a Colômbia, mas a transferência de tecnologia desenvolvida na universidade permitirá que os medicamentos sejam produzidos com maior controle sobre a composição dos compostos, garantindo segurança e rigor farmacêutico aos pacientes.

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