Do banco ao curral: casal troca carreira corporativa para produzir queijo com café no Sul de Minas
Com mais de 150 queijarias registradas na região, o queijo artesanal mineiro transforma a vida de produtores como Mileny Freitas, que deixou o setor bancário para criar receitas inovadoras em Elói Mendes.

A trajetória de Mileny Freitas e seu noivo Diego ilustra uma nova era para o queijo artesanal mineiro: o casal trocou a correria das agências bancárias pela tranquilidade e pelos desafios da fazenda em Elói Mendes. Essa "virada de chave" resultou na criação de receitas autorais, como o queijo Estopa, tratado com borra de café, reforçando o papel de Minas Gerais como um polo de inovação gastronômica. Atualmente, o estado celebra o vigor do setor, com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) registrando mais de 150 queijarias que mantêm viva a tradição e a economia local.

Hoje, a produção se consolidou com duas receitas que homenageiam as raízes sul-mineiras:
- Queijo Caboclo: Com seis meses de maturação, é uma homenagem ao pai de Mileny. “A história é que meu pai é apaixonado também por música sertaneja antiga e tem uma música que chama Casa de Caboclo, do Ed e Fábio Cesar”, conta.
- Queijo Estopa: Uma fusão entre as duas maiores riquezas da região: o leite e o café. “Desde o começo a gente vem modificando a receita e esse ano agora a gente chegou na receita esperada que era o meu sonho, que é fazer um queijo de massa lavada com molhaduras propiônicas... e por isso eu decidi fazer um tratamento nesse queijo com a borra do café. E aí o nome estopa surgiu por isso, porque a casca do queijo, quando você passa a borra, ela ficou muito parecida com um saco de estopa, então a gente decidiu colocar o nome de queijo estopa porque o saco de estopa é o saco que utiliza para armazenar o café”.

O sucesso de pequenos empreendedores como Mileny e Diego é sustentado por um mercado robusto. Dados do Sebrae apontam que o Sul de Minas concentra 1.359 negócios ativos no setor de laticínios, abrangendo desde a fabricação artesanal até o comércio atacadista e varejo de frios.
Franciele Brígida é comunicadora formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Atua como repórter multimídia na Itatiaia Sul de Minas desde 2023.



