Dicionários infantis falham ao representar diversidade familiar, aponta estudo
Pesquisa da UNIFAL-MG revela que materiais escolares ainda priorizam modelos tradicionais e ignoram a pluralidade dos arranjos familiares brasileiros.

Um estudo desenvolvido no curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) acendeu um alerta para o setor educacional. A pesquisa analisou como dicionários escolares infantis definem o conceito de família e concluiu que esses materiais ainda estão distantes da realidade contemporânea, priorizando padrões tradicionais e excluindo diversas configurações familiares presentes na sociedade.
Raquel Reis, que também é mãe, ressalta que a falta de representatividade pode afetar a identidade dos estudantes. "Uma criança que não vê sua realidade representada tende a interpretar sua vivência como inadequada ou invisível", argumenta a pesquisadora. Segundo ela, as ilustrações também reforçam padrões restritos, geralmente apresentando famílias brancas e heterossexuais.
O orientador do estudo, Geraldo Liska, observa que os instrumentos linguísticos da escola não têm acompanhado as transformações sociais. Para o doutor em Estudos Linguísticos, os dicionários deveriam funcionar como espelhos da realidade, ajudando a criança a compreender o mundo em que vive, em vez de fixar um modelo social idealizado.
O estudo conclui que é necessária uma revisão crítica dos processos editoriais. A ampliação do conceito de família nos materiais pedagógicos é vista pelos autores como um passo fundamental para garantir a formação cidadã e o respeito à diversidade desde os primeiros anos de alfabetização.
Franciele Brígida é comunicadora formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Atua como repórter multimídia na Itatiaia Sul de Minas desde 2023.



