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Café do Sul de Minas é vendido por R$ 134 mil em leilão internacional

Lote processado pelo método natural alcançou o maior preço já pago por um café brasileiro nos pregões da ACE (Alliance for Coffee Excellence)

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O cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho • Reprodução site CNN Brasil

Um café produzido no município de Carmo de Minas alcançou o maior preço já pago por um café brasileiro em leilão internacional. A saca de 60 quilos chegou a R$ 134 mil. Uma empresa japonesa pagou o valor. A informação é da CNN Brasil. O café foi produzido na fazenda Santuário Sul, do cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho (foto).  O valor se justifica pela variedade cultivada, as características sensoriais do grão, a qualidade alcançada na avaliação e a disputa entre compradores em leilões internacionais. O café é de uma variedade do arábica conhecida como “geisha”, originária da Etiópia.

O pregão onde houve a negociação foi realizado pela ACE (Alliance for Coffee Excellence). O comprador foi a empresa japonesa Snow Beans Coffee, que pagou US$ 200 por libra-peso. O valor corresponde a cerca de US$ 26,4 mil por saca de 60 quilos. A venda ocorreu durante a SCAJ 2026 – World Specialty Coffee Conference and Exhibition, feira de cafés especiais realizada em Tóquio, no Japão. O leilão teve participação presencial e pela internet.

Carmo de Minas fica na Serra da Mantiqueira, tem aproximadamente 14 mil habitantes, e já é reconhecido internacionalmente pela produção de cafés especiais. Após a venda, Luiz Paulo Dias Pereira Filho destacou a importância do resultado para a cafeicultura brasileira e o reconhecimento do trabalho dos produtores no mercado internacional. “Hoje é um dia muito especial aqui no Japão, que evidencia o potencial do cafeicultor brasileiro. Vendermos por US$ 200 a libra mostra que todo o trabalho feito pelo produtor é reconhecido globalmente e também coloca o Brasil na primeira prateleira da qualidade do setor de café especial no mundo. Quero parabenizar e agradecer a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), que muito nos apoiou nesse evento e ao longo da história do Cup of Excellence”, afirmou.

O valor pago pelo café brasileiro está relacionado a fatores como a variedade cultivada, as características sensoriais do grão, a qualidade alcançada na avaliação e a disputa entre compradores em leilões internacionais. No mercado de cafés especiais, lotes com características diferenciadas e produção limitada podem alcançar preços elevados. O geisha é uma variedade de café arábica originária da Etiópia que ganhou reconhecimento internacional após se destacar em concursos no Panamá, em 2004. É conhecida pelo perfil aromático complexo, com notas que podem remeter a flores, frutas cítricas e chá, dependendo das condições de cultivo e do processamento.

Outro fator é o método natural utilizado no lote vendido pela Fazenda Santuário Sul. Nesse processo, os frutos do café são secos inteiros, com a polpa e as demais camadas que envolvem os grãos. A técnica influencia o desenvolvimento dos aromas e sabores e pode resultar em bebidas com maior percepção de doçura e notas frutadas. A produção de cafés especiais também exige cuidados em diferentes etapas, da colheita ao processamento e à seleção dos grãos. No caso de variedades como a geisha, a disponibilidade de lotes com características valorizadas por compradores especializados pode contribuir para a formação dos preços.

O valor recorde, no entanto, não representa o preço habitual do café geisha nem o praticado no mercado de café em geral. Trata-se do resultado de uma negociação específica em um leilão internacional, em que o valor final depende das características do lote e do interesse dos compradores.

 

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Estela Torres é jornalista pela Universidade de Alfenas e pós graduada em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário do Sul de Minas. Está na Itatiaia Sul de Minas desde a instalação da emissora em Varginha, em 2009, atuando como produtora, repórter e apresentadora .

 

 

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