O que muda na sua coluna aos 30, 40, 50 e 60 anos? Ortopedista explica
Mudanças significativas na coluna começam por volta dos 30 anos

As mudanças na coluna vertebral fazem parte do envelhecimento, mas nem sempre indicam uma doença. Segundo o médico ortopedista especialista em coluna vertebral Daniel Oliveira, é importante entender esse processo para evitar preocupações desnecessárias. "A coluna vertebral passa por mudanças naturais ao longo da vida, e compreender esse processo é importante para diferenciar o envelhecimento fisiológico de doenças que necessitam de tratamento."
O especialista explica que as primeiras alterações costumam surgir por volta dos 30 anos. "Os discos começam a perder parte da capacidade de reter água, reduzindo gradualmente sua elasticidade e eficiência na absorção de impactos. Na maioria das pessoas, essas alterações não provocam sintomas e fazem parte do envelhecimento natural da coluna." Ele acrescenta que sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e sobrecarga física podem aumentar o risco de dor ao longo do tempo.
Na faixa dos 40 anos, as mudanças tendem a ficar mais evidentes, mas isso não significa que exista uma doença. "Muitos indivíduos apresentam alterações nos exames de imagem sem sentir qualquer dor, o que reforça a importância de correlacionar os achados radiológicos com a história clínica e o exame físico do paciente, evitando tratamentos baseados apenas na ressonância magnética", afirma.
A partir dos 50 anos, o processo degenerativo costuma se intensificar. "São mais frequentes a perda de altura dos discos, a artrose das articulações da coluna, protrusões discais e alterações que podem contribuir para o estreitamento do canal vertebral e dos forames por onde passam os nervos", explica Daniel Oliveira. Segundo ele, nas mulheres, a menopausa também acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas vertebrais.
Depois dos 60 anos, o envelhecimento do sistema musculoesquelético passa a ter maior impacto na coluna. "Observa-se perda progressiva de massa muscular, redução da flexibilidade, diminuição do equilíbrio e da capacidade funcional. Essas mudanças podem aumentar o risco de quedas e favorecer deformidades da coluna", destaca o ortopedista. Nessa fase, também são mais comuns sintomas como dor, formigamento, sensação de peso e fraqueza nas pernas provocados pela estenose do canal vertebral.
Apesar dessas alterações, Daniel Oliveira reforça que a idade, por si só, não determina o surgimento de dores. "Envelhecer não significa, obrigatoriamente, conviver com dor. A prática regular de atividade física, associada ao controle do peso corporal, alimentação adequada, abandono do tabagismo e adoção de hábitos saudáveis, ajuda a preservar a função da coluna, reduz o risco de dor e incapacidade e contribui para manter a qualidade de vida por muitos anos", conclui.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



