Lesão medular: neurocirurgião explica o que é, causas e como evitar
Médico afirma que há 'epidemia oculta' de lesões na medula causada principalmente por acidentes de moto

A lesão medular pode ser causada por quedas, traumas, acidentes de trânsito e podem trazer consequências graves. O problema atinge a medula espinhal, que fica dentro da coluna vertebral.
O neurocirurgião Fernando Luiz Rolemberg Dantas, em participação no programa Acir Antão desta quarta-feira (8), explica que há uma “epidemia oculta” de traumatismo raquimedular, causado principalmente por acidentes de moto.
“O acidente de moto realmente está crescendo gradativamente. Teve uma elevação de 56% nos últimos cinco anos em virtude de moto. Temos que chamar a atenção da população para pensarmos na prevenção e no que fazer, porque afeta principalmente pacientes jovens, em plena atividade, de 15 a 25 anos, que perdem subitamente a força dos braços ou das pernas em virtude de um trauma raquimedular”, afirma o médico.
Os acidentes domésticos também têm grande participação entre os casos de lesão na medula. “Cerca de 40% são acidentes domésticos, principalmente com idosos que vão trocar lâmpada, subir no muro ou no armário. São quedas da própria altura em idosos”.
O neurocirurgião detalha que nos casos de lesão medular, é necessário tratar o paciente o mais rápido possível. “A lesão medular é como se fosse um AVC isquêmico. É uma cascata inflamatória que pode levar à isquemia na medula. Por isso a importância de o paciente com déficit neurológico ser atendido e operado, se possível, até nas primeiras 24 horas”, diz.
Ele lista quais são os impactos causados pelo problema. “Temos a coluna cervical, a torácica e a lombar. Na coluna cervical, um trauma grave pode afetar os braços e as pernas; o paciente pode ficar tetraplégico. Na coluna torácica e na lombar, preservam-se os braços e o paciente perde o movimento das pernas, ficando paraplégico. Lesões graves, como no caso do "Superman" (Christopher Reeve), que fraturou a primeira e a segunda vértebras, deixam a pessoa tetraplégica e com dificuldade respiratória. Tudo depende da localização da fratura”.
O médio afirma que ainda não há cura para a lesão medular: “o principal tratamento é a prevenção”. Depois da cirurgia, o paciente deve fazer acompanhamento com fisioterapeuta e pode apresentar melhoras gradativas no quadro.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



