Após interdição de FHC, geriatra explica quadro de Alzheimer avançado
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi interditado após pedido dos filhos ser acatado pela Justiça de São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos, foi interditado depois que a Justiça de São Paulo acatou o pedido dos filhos dele nessa quarta-feira (15). Os herdeiros pediram a interdição porque FHC está em estágio avançado de Alzheimer.
A geriatra Simone de Paula Pessoa Lima explica que “o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o cérebro, comprometendo funções cognitivas como memória, linguagem, raciocínio e comportamento”. A condição é a principal causadora de demência em idosos e impacta a autonomia do paciente.
“Os primeiros sinais incluem lapsos frequentes de memória recente, dificuldade para encontrar palavras ou se orientar no tempo e no espaço, e alterações sutis no comportamento ou humor, como irritabilidade e apatia”, lista a médica.
A geriatra explica como diferenciar o esquecimento comum do Alzheimer. Em pacientes com a doença, “os esquecimentos são persistentes e interferem na capacidade de realizar tarefas cotidianas, como se esquecer de conversas recentes, compromissos importantes ou se perder em trajetos familiares. Além disso, sintomas como dificuldade para executar tarefas complexas, alterações de linguagem e mudanças de comportamento são mais sugestivos de Alzheimer do que de lapsos comuns de memória”.
No estágio avançado da doença, como é o caso de FHC, “a pessoa pode perder a capacidade de se comunicar verbalmente ou entender a fala. Pode acontecer de haver perda de controle da bexiga e do intestino, dificuldade para engolir e de ter a mobilidade limitada, levando à necessidade de assistência completa para todas as atividades”, afirma a profissional.
Nessa fase, “o paciente requer cuidados integrais, com assistência em higiene e até na alimentação. Pode chegar a ser necessário o manejo de complicações como a imobilidade”. O tratamento exige uma abordagem integrada, que concilia terapia cognitiva, atividade física e uso de remédios.
“Os tratamentos disponíveis para Alzheimer incluem medicamentos como os inibidores da colinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) e a memantina, que podem ajudar a minimizar as perdas cognitivas e comportamentais temporariamente. Embora esses medicamentos possam retardar a progressão dos sintomas, eles não interrompem a evolução da doença. Além dos fármacos, intervenções não farmacológicas, como estimulação cognitiva, atividade física e suporte emocional, são fundamentais para otimizar a qualidade de vida”.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



