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Após as chuvas, lama e água contaminada aumentam risco de doenças; infectologista alerta para cuidados

Leptospirose, hepatite A, infecções de pele e doenças transmitidas por mosquitos estão entre os riscos; especialista orienta como se proteger durante a limpeza e reconhecer os sintomas

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Após as chuvas, lama e água contaminada aumentam risco de doenças; infectologista alerta para cuidados
Após as chuvas, lama e água contaminada aumentam risco de doenças; infectologista alerta para cuidados • Rafael Mendes/SES-MG

Internação, perda temporária dos movimentos e três meses de tratamento para voltar a andar. A professora Andreia Amaral enfrentou consequências graves depois de contrair chikungunya. A história dela mostra como doenças infecciosas podem comprometer a saúde e a qualidade de vida. E o alerta vai além dos mosquitos: depois das chuvas e das enchentes, a água contaminada e a lama também podem esconder riscos, como a leptospirose, a hepatite A e infecções de pele.

“Sofri demais, fiquei internada, não andei, fiquei sem andar um tempo. Aí tive que fazer um tratamento, tive que tomar uma injeção para poder voltar a andar. Fiquei em torno de uns três meses fazendo tratamento, mas agora, graças a Deus, está tudo bem”, relata Andreia.

Ao falar sobre as possíveis circunstâncias da infecção, a professora acredita que a presença de água parada e de áreas de mata próximas de onde mora pode ter contribuído para a exposição ao mosquito.

Leptospirose exige atenção após contato com água de enchente

O infectologista Adelino Melo, credenciado da Unimed-BH, alerta que a leptospirose é uma das principais preocupações após enchentes. A doença é causada por uma bactéria presente na urina de animais infectados, principalmente ratos, e pode ser transmitida pelo contato com água ou lama contaminadas.

Segundo o médico, é importante observar o aparecimento de sintomas nas semanas seguintes à exposição. Ao procurar atendimento, a pessoa deve informar que teve contato com água de chuva, enxurrada ou lama. “Quando for procurar assistência médica, é muito importante informar que teve esse contato de risco, que teve exposição à água de chuvas, à lama, à água de enxurrada, por exemplo. Esses elementos ajudam a gente a pensar no diagnóstico de doenças como a leptospirose, a mais grave delas”, explica.

Além da leptospirose, a exposição pode estar relacionada a doenças diarreicas, hepatite A e infecções de pele. No caso da hepatite A, um dos sinais possíveis é a icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.

O infectologista recomenda procurar atendimento médico diante de sintomas que apareçam após uma exposição de risco, mesmo que inicialmente pareçam inespecíficos. A informação sobre o contato com água ou lama contaminadas é importante para orientar a avaliação médica.

Como se proteger durante a limpeza

A retirada da lama e a limpeza de casas e ruas exigem cuidados para reduzir o contato direto com a água contaminada. Sempre que possível, é recomendado utilizar botas de borracha e proteger as mãos com luvas impermeáveis. “Se for possível, quando a gente tem água até o nível do tornozelo ou da canela, dá para impermeabilizar com uma bota de borracha, por exemplo. Se for enfiar a mão na água ou na lama, também é importante usar uma proteção”, orienta Adelino Melo.

Quando não houver condições de evitar completamente o contato, a recomendação é reduzir o tempo de exposição e retirar a lama e a água contaminada da pele assim que possível.

Água parada aumenta risco de dengue e chikungunya

O período posterior às chuvas também exige atenção para evitar a formação de criadouros do Aedes aegypti. Recipientes, pneus, calhas e outros locais que acumulam água podem favorecer a reprodução do mosquito.

“Se, no pós-chuva, a gente tiver água acumulada, esse é um dos fatores de risco para as doenças transmitidas por mosquitos. O Aedes aegypti favorece essa situação, aumenta sua taxa de reprodução e, com isso, cresce o risco de transmissão de dengue, chikungunya, entre outras doenças”, alerta o infectologista.

A orientação é eliminar a água acumulada, verificar os locais que podem servir de criadouro e procurar atendimento médico diante de sintomas suspeitos. O cuidado deve continuar mesmo depois que a água da chuva baixa, já que os efeitos sobre a saúde podem aparecer nos dias e nas semanas seguintes.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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