Anvisa notifica Mercado Livre após anúncio sobre venda de remédios com receitas na plataforma
Agência reguladora questiona como a operação atende às regras sanitárias; empresa tem até três dias úteis para prestar esclarecimentos

Após o Mercado Livre anunciar a venda de medicamentos que exigem receita médica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou a empresa, questionando como a operação atende às regras sanitárias e solicitando a apresentação de documentos que comprovem a regularidade do serviço.
A empresa tem até três dias úteis, contados do recebimento da notificação, para enviar os documentos e esclarecimentos à agência reguladora. O prazo termina em 1.º de outubro. Caso a determinação não seja cumprida, poderá ser aberto um processo administrativo sanitário.
A novidade do marketplace foi divulgada na última quinta-feira (24), enquanto a notificação da Anvisa foi formalizada três dias depois, na segunda-feira (28). A agência reguladora busca entender qual é a empresa responsável pela farmácia própria do Mercado Livre, onde ela funciona, se possui autorização da Anvisa e alvará sanitário, e quem é o farmacêutico responsável.
Também foram pedidas informações sobre como são conferidas as receitas e como os medicamentos são armazenados e transportados. As informações são da jornalista Mônica Bergamo — que publicou uma reportagem sobre o tema, indicando que o Mercado Livre afirmou que não foi notificado e que todos os produtos da plataforma "têm rastreabilidade completa, assegurando controle de origem e validade".
A reportagem da Itatiaia também procurou a administração do Mercado Livre, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Inclusão de farmácias terceirizadas na plataforma
A Anvisa também questiona o plano do Mercado Livre de incluir farmácias e drogarias terceirizadas no marketplace a partir do mês de outubro. De acordo com a agência reguladora, não há, na regulamentação atualmente em vigor, previsão que autorize a intermediação de marketplaces para a venda de medicamentos.
- Vale destacar que a norma prevê que a venda pela internet seja feita diretamente pelo estabelecimento autorizado, em endereço eletrônico próprio.
Por isso, o Mercado Livre também terá que explicar como pretende verificar se as farmácias cadastradas têm autorização para funcionar, alvará sanitário e farmacêutico responsável. A Anvisa pergunta, ainda, como serão divididas as responsabilidades entre a plataforma e os estabelecimentos em questões como a venda dos medicamentos e a orientação aos consumidores.
Até que a regularidade da operação seja comprovada, a agência reguladora determinou que o Mercado Livre não hospede, divulgue ou facilite a venda de medicamentos na plataforma.
Enquanto isso, ainda segundo publicado pela Mônica Bergamo, o Mercado Livre afirma que ainda não recebeu notificação e indicou cumprir as normas aplicáveis. A empresa também afirma que os medicamentos terão rastreabilidade de origem e validade e que mantém diálogo com a Anvisa sobre a regulamentação do setor.
Mercado Livre anuncia venda de medicamentos
O Mercado Livre anunciou na última quinta-feira (24), durante coletiva de imprensa no evento "Mercado Livre Experience", em São Paulo, que a plataforma avançará no setor de saúde.
Na ocasião, a empresa indicou que o marketplace vai começar a comercializar remédios que exigem prescrição médica e também vai permitir a entrada de grandes redes de farmácia, que poderão vender na plataforma.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



