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Zema terá maioria na ALMG, mas não deve emplacar presidente da casa

Candidato dos deputados ganha força e parlamentares defendem retirada do nome apresentado pelo governador para a construção de candidatura de consenso

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Deputados Tadeu Martins Leite (MDB) e Roberto Andrade (Avante)
Deputados Tadeu Martins Leite (MDB) e Roberto Andrade  • Willian Dias e Clarissa Barçante

O nome do deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB), chamado pelos pares de Tadeuzinho, ganha força para a presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Apoiadores do emedebista contabiizam pelo menos 46 votos entre os 77 deputados. O PL e o PSD, que tem duas das maiores bancadas da casa, serão os fiéis da balança. Na última quinta-feira (19), o Partido Liberal anunciou que vai apoiar o nome de Tadeuzinho, embora deva ficar na base de Romeu Zema. Já o PSD está rachado em relação ao apoio do nome para a presidência.

Vários deputados ouvidos pela coluna disseram que Zema deve ter maioria para aprovação de projetos na casa, mas eleger um candidato do Executivo, no caso o deputado Roberto Andrade (Avante), é fazer da Assembleia um "Puxadinho da Cidade Administrativa".

O deputado Antônio Carlos Arantes (PL), que chegou a ter o nome cotado para a presidência, afirmou que é "amigo de Roberto, mas Tadeuzinho é um nome aglutinador", por isso o partido em Minas declarou apoio ao emedebista. Dos 9 parlamentares do Partido Liberal, 7 apoiam Tadeu Martins Leite.

PL

O posicionamento do PL, embora tenha espantado alguns, já estava sendo costurado há vários dias. Um dos episódios que culminaram na decisão da sigla ocorreu na presença de outros parlamentares, quando o deputado Gustavo Santana, vice-presidente do PL em Minas, teria recebido uma mensagem do governo criticando a postura dele de defender a ampliação dos valores destinados a emendas impositivas. A escolha do governo pelo nome de Roberto Andrade e não de Antônio Carlos Arantes também teria pesado na decisão dos PL mineiro. Assim, Zema perdeu um grupo expressivo de apoiadores.

Retaliação

A decisão do governo de exonerar comissionados para passar o pente-fino nas indicações políticas também caiu mal no parlamento. Deputados citam as exonerações na Companhia de Habitação de Minas Gerais (COHAB), que estava sendo comandada por indicados do Avante de Luis Tibé; as exonerações de milhares de servidores no último dia 2 de janeiro e até o rompimento de um contrato de uma estatal com a empresa que seria de um parente de um deputado. Segundo dois dos parlamentares com os quais a coluna conversou, "esse método de pressão" não funciona.

Consenso

Ainda segundo fontes ouvidas pela coluna, alguns apoiadores do emedebista esperam que o governo retire a candidatura de Roberto Andrade (Avante) e que a candidatura de Tadeuzinho seja única e construída em consenso. Na avaliação de parte dos deputados, se houver disputa entre os dois parlamentares, o processo pode ser desgastante para o executivo e a "tão sonhada harmonia" pode não ocorrer como o governo deseja.

Tadeu Martins Leite (MDB) e Roberto Andrade (Avante) permanecem em silêncio.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.