Zema se despede e Simões assume Minas em cerimônia no Palácio da Liberdade
Evento foi marcado por discursos de ambos em um palanque montado em frente à antiga sede do Executivo. Romeu Zema (Novo) mirou as atenções para a campanha nacional, enquanto Mateus Simões (PSD) elencou compromissos para sua gestão como titular no cargo

A transmissão do cargo de governador de Minas Gerais foi oficializada neste domingo (22) com a passagem do Grande Colar da Inconfidência de Romeu Zema (Novo) para Mateus Simões (PSD). Ambos discursaram em um palanque montado em frente ao Palácio da Liberdade: o novo ocupante do cargo, emocionado, focou seu pronunciamento em compromissos com as áreas da saúde e educação; já o chefe do Executivo mineiro pelos últimos sete anos se despediu com uma exaltação da própria gestão e a mudança de atenções para o plano nacional.
Sob o sol forte do meio-dia, Simões foi o primeiro a falar para uma plateia formada por apoiadores, parlamentares e prefeitos. O novo governador agradeceu e referenciou seus familiares e Zema ao longo de sua fala. Pré-candidato Pará se reconduzido ao cargo, ele destacou dois compromissos com ênfase na criação de empregos e na segurança pública.
“Como governador, eu quero fazer dois outros compromissos com os mineiros. O primeiro deles é o de continuar trabalhando para que eles tenham mais dignidade, porque se nós temos hoje a menor taxa de desemprego da história, graças ao trabalho do governador Romeu Zema, nós ainda precisamos avançar na renda média do mineiro. Nós estamos falando de qualificação dos empregos que são gerados. E eu vou estar trabalhando com isso todos os dias para garantir que todo mineiro não só possa trabalhar como ele possa hoje, mas que ele possa viver bem, sustentar sua família. E junto com esse compromisso, um compromisso sobre segurança pública. Em Minas Gerais não há espaço para o desmando. Nós não permitiremos a chegada do crime organizado. Eles serão perseguidos e pulsos e presos sempre que necessário”, afirmou.
Embora com tom mais grandiloquente, o discurso de Simões no Palácio teve semelhanças com seu pronunciamento realizado cerca de uma hora antes no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde ele assinou o termo de posse e anunciou que, a partir do dia 26 deste mês, fará uma jornada de 100 dias percorrendo todo o estado e transferirá simbolicamente a capital para cidades-polo de cada região do mapa mineiro.
A bandeira da segurança pública tem sido apresentada pela atual gestão do Executivo nos últimos anos. Em paralelo à exaltação do trabalho das forças, os servidores da área vivem em pé de guerra com o Governo de Minas desde 2020 e cobram, entre outras reivindicações, uma recomposição salarial que ultrapassa a marca de 40% de defasagem pela inflação.
Zema se despede e mira Planalto
Zema falou na sequência, agradeceu Simões e passou a primeira metade de sua fala de cerca de sete minutos elencando projetos de sua gestão.
A parte final da fala de Zema foi destinada a criticar o atual governo federal e associá-lo à gestão mineira que o antecedeu: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Fernando Pimentel, no entanto, não foram citados.
“Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês. Não importa o quanto brasileiro batalha. O Brasil está sendo destruído por esse governo que está lá em Brasília. O Brasil está sendo destruído pelo mesmo sistema que destruiu Minas Gerais. Mas vou dizer aqui uma coisa para vocês. Nós não somos um país fracassado. Nós somos sim um país roubado. O problema do Brasil não é falta de recursos, é sobra de ladrão”, bradou o agora ex-governador.
Zema agora focará nos trabalhos de sua pré-candidatura à Presidência da República. O governador tem repetido reiteradamente que levará a campanha até o fim e não pensa em aceitar ser demovido da ideia para aceitar compor uma chapa da direta unificada em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
