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Vorcaro nega à PF fraude no BRB, pede soltura e diz que vai pedir perícia

Em terceiro depoimento, de cerca de 4 horas, ex-dono do Master chama de 'fantasiosa' a tese de rombo no banco do DF. Relatório da PF enviado ao STF descreve outro cenário

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Vorcaro nega à PF fraude no BRB, pede soltura e diz que vai pedir perícia; investigação aponta R$ 12,2 bi em operações suspeitas
Vorcaro nega à PF fraude no BRB, pede soltura e diz que vai pedir perícia; investigação aponta R$ 12,2 bi em operações suspeitas • Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, prestou nesta quinta-feira (15) novo depoimento à Polícia Federal sobre as operações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). Ele falou por cerca de 4 horas. Desta vez, a delegada responsável pelo caso foi pessoalmente à unidade onde ele está preso; os depoimentos anteriores vinham sendo feitos por videoconferência.

Logo após a oitiva, a defesa divulgou nota com um pedido duplo: o arquivamento do inquérito sobre as operações Master–BRB e a revogação imediata da prisão preventiva.

O que diz a defesa

Segundo os advogados, esta foi a terceira oitiva de Vorcaro nos inquéritos, e ele teria respondido “de forma colaborativa a todas as perguntas”, com “esclarecimentos decisivos”. A nota sustenta quatro teses:

  • Sem prejuízo ao BRB: as operações entre os dois bancos teriam sido lícitas, com base em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança de ambas as instituições.
  • Sem “fraude de R$ 12 bilhões”: o negócio com as carteiras da Tirreno não teria sido concluído, e a troca de ativos teria gerado resultado positivo para o BRB. A defesa anunciou que apresenta nesta sexta (16) contestação na esfera cível, com pedido de perícia para “sepultar definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo”.
  • A culpa pela crise do BRB seria da PF: a nota atribui a crise reputacional do banco à deflagração “açodada” da Operação Compliance Zero.
  • Arquivamento e soltura: sem avanço na produção de provas, a defesa diz ser “urgente e imperativa” a revogação da preventiva.

O que diz a investigação

A versão da defesa contrasta com o que a PF já levou ao Supremo. Segundo a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025 o BRB transferiu cerca de R$ 16,7 bilhões ao grupo Master. Desse total, R$ 12,2 bilhões teriam saído em operações com indícios de fraude.

Pelo lado do banco estatal, a PF aponta como principal elo o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que também está preso. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram uma relação próxima entre os dois, e há suspeita de que cerca de R$ 150 milhões em imóveis tenham sido oferecidos como propina para facilitar o negócio.

Em relatório ao STF, a PF diz que já em outubro de 2024 a aquisição e a integração do Master ao BRB estavam definidas no plano estratégico. O aumento de capital e o desenho acionário teriam funcionado como etapas preparatórias. As mensagens analisadas foram trocadas perto da autorização, pelo acionista controlador, de um aumento de capital de R$ 750 milhões. Os investigadores descrevem ainda uma dinâmica de circularidade econômica e dependência financeira construída artificialmente, que incentivava o banco público a absorver ativos de maior risco.

O inquérito também alcança o ex-governador do DF. Relatórios da PF falam em “atuação direta” de Ibaneis Rocha (MDB) na tentativa de compra do Master pelo BRB, incluindo a autorização do aumento de capital e articulação com agentes privados. A defesa de Ibaneis afirma que ele não pressionou nem teve ingerência nas operações do BRB.

Vorcaro cumpre prisão preventiva desde 4 de março. Em junho, foi transferido para o 19º Batalhão da PM do DF, a chamada Papudinha, em Brasília. Antes disso, ele foi preso na primeira fase da operação, em novembro de 2025, quando tentava embarcar num jatinho em Guarulhos rumo a Dubai. Foi solto doze dias depois e voltou a ter a preventiva decretada em março. Em 20 de março, a Segunda Turma do STF manteve a prisão por unanimidade. Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril, suspeito de receber propina de Vorcaro.

Delação travada e disputa de versões

O depoimento acontece em um cenário de disputa sobre o que Vorcaro tem a oferecer. Segundo a PF, a proposta de delação premiada apresentada pela defesa não atendia aos requisitos legais. Na terça (13), ele divulgou carta por meio do advogado reafirmando disposição para colaborar com as investigações.

O caso ganhou temperatura eleitoral. No dia 9, a PF negou reportagem da Veja que atribuía a Vorcaro um depoimento ligando Lula ao financiamento de um documentário. Segundo a corporação, ele não prestou depoimento com aquele teor nem entregou documentos com esse conteúdo.

Próximos passos

  • Sexta (16): a defesa protocola a contestação cível com pedido de perícia. A PF também marcou para sexta o depoimento de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. metropoles
  • Sem data: a PF deve ouvir Paulo Henrique Costa depois de Vorcaro. cnnbrasil
  • No STF: o pedido de revogação da preventiva. Pesa contra a defesa o histórico recente: a prisão foi mantida por unanimidade na Segunda Turma.
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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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