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Vice-prefeito de cidade mineira recebia ‘mesada’ para beneficiar hospital, diz Ministério Público

Investigação aponta que Nilo Baracho, ex-secretário de Saúde de Itajubá, recebeu valores superiores a R$ 20 mil ao mês; ele foi preso nesta terça (20)

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Nilo Baracho, vice-prefeito de Itajubá, sorri ao posar para foto
Nilo Baracho foi preso nesta terça-feira (20) • Facebook/Reprodução

As investigações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) a respeito de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro em Itajubá, no Sul do estado, dão conta que Nilo Baracho, vice-prefeito da cidade, recebia uma “mesada” de gestores de um hospital local. Os valores serviriam para que os interesses do Hospital da Clínica de Itajubá e de seus gestores fossem favorecidos.

Nilo, eleito pelo MDB em 2020, foi preso nesta terça-feira (20). Ele é alvo, também, de uma segunda operação, conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para apurar possíveis superfaturamentos da manutenção de veículos pertencentes à prefeitura.

Segundo o promotor de Justiça Eduardo de Paula Machado, os repasses feitos por interlocutores do Hospital das Clínicas a Nilo começaram em 2017. Segundo ele, o vice-prefeito, à época secretário Municipal de Saúde, recebia os recursos por meio da emissão, por parte de empresários, de notas fiscais “frias” — quando não há, efetivamente, a prestação do serviço descrito no documento.

“Com as notas fiscais frias, uma parcela dos gestores do hospital determinava o pagamento em favor desses terceiros empresários. Esses empresários, de posse dos pagamentos em cheques, convertiam os valores em dinheiro e faziam a entrega ao secretário municipal de Saúde”, explicou, durante coletiva de imprensa.

Segundo Eduardo Machado, que é coordenador regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Pouso Alegre, cidade próxima a Itajubá, o esquema desviou mais de R$ 1,4 milhão de reais. As cifras compreendem entre o fim de 2017 e o fim do ano passado.

Os responsáveis pela operação a respeito dos repasses, chamada de “Transfusão”, ofereceram denúncia contra os investigados à Justiça. O MPMG apurou, ainda, a existência de organização criminosa e peculato.

Superfaturamento

No que tange à segunda operação, batizada Sepulcro Caiado, se debruçou sobre o superfaturamento de serviços de manutenção de veículos públicos. Em alguns casos, segundo a Polícia Civil, os serviços contratados não foram feitos. Em outros, houve superfaturamento de até dez vezes em relação ao valor de tabela da despesa.

A oficina envolvida no esquema teria recebido mais de R$ 900 mil do município.

“Esses valores, quando recebidos, eram distribuídos entre os sócios da oficina e entre dois servidores municipais, responsáveis por levar os veículos da prefeitura à oficina. Além deles, recebiam transferências da oficina dois familiares desses servidores. O dinheiro, em alguns casos, era sacado. Percebeu-se grande quantidade de saques em espécie”, explicou o delegado Kalil Ribeiro, da Polícia Civil itajubense.

“Um dos servidores fez diversos depósitos em espécie em favor do secretário de Saúde”, completou.

Prefeitura e hospital se posicionam

Em nota, a Prefeitura de Itajubá disse estar à disposição para "colaborar com quaisquer investigações que apurem irregularidades".

"A Prefeitura conta com a imparcialidade dos investigadores para prosseguir com o trabalho sério desenvolvido nos três últimos anos", lê-se no texto.

A direção do Hospital das Clínicas da cidade, por sua vez, emitiu comunicado para garantir a continuidade dos serviços ofertados.

“As recentes notícias não interferem na qualidade do atendimento e no planejamento estratégico que vem sendo desenvolvidos. Sua saúde e bem-estar são, e sempre serão, nossa prioridade máxima. O corpo clínico e os colaboradores do HCI, acreditam na ação da justiça e no breve esclarecimento dos fatos”, garante a entidade.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.