Viana explica atuação de Lulinha detalhada no relatório da CPMI do INSS
Em entrevista à Itatiaia, presidente da CPMI disse que filho do presidente da República cumpriu papel de intermediário para lobistas que atuam no escândalo

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou o esquema bilionário de desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), explicou as justificativas usadas no relatório da investigação para pedir o indiciamento de Fábio Luís da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Itatiaia Agora nesta sexta-feira (27), o parlamentar explicou qual seria a função de Lulinha no esquema.
Viana destacou que as investigações da CPMI mostraram que Lulinha teria uma função de viabilizar o trânsito entre os operadores do sistema fraudulento e o atual governo. O senador afirmou que a mesma atividade foi exercida por outras pessoas em gestões federais anteriores desde a presidência de Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018.
“No INSS temos esses lobistas que começaram lá atrás no governo Temer. Eles começaram com os trabalhos de descontos de sindicatos e associações, depois clubes de desconto. Esses lobistas, ao menos três deles, são muito bem identificados: Antônio Carlos Camilo, Mauricio Camisotti e Roberto Lopes, que é o do Conafer. Eles criaram esquemas de influência dentro da previdência, mas para que esses esquemas sobrevivessem era preciso que os cargos da previdência se mantivessem nas mãos ou sob encargo de pessoas ligadas ao esquema”, disse Viana à Itatiaia.
Na sequência, Viana disse que o papel de Lulinha apontado no relatório da CPMI entregue nesta sexta era o de viabilizar o contato entre Antônio Carlos Camilo, conhecido como ‘Careca do INSS’, e o comando das estruturas da previdência.
“No atual governo, a informação é de que Antônio Carlos Camilo contratou uma senhora chamada Roberta Luchsinger, que tem uma amizade muito próxima com o filho do presidente da República para que eles montassem um esquema de venda de canabidiol usando o dinheiro da previdência. Então a figura do filho do presidente abria portas para esse grupo e, em tese, permitiu que Antônio Carlos Camilo usasse desse recurso e nisso foi dinheiro para Portugal e para Espanha. O relator pediu indiciamento com base em todas as declarações de testemunhas e da própria Polícia Federal”, concluiu o senador.
Lulinha é um dos 217 nomes com pedido de indiciamento no relatório final da CPMI. O texto deve ser votado até sábado, prazo final para o encerramento do período regimental de duração da comissão de inquérito.
Assista a entrevista na íntegra:
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
William Travassos é apresentador do programa Itatiaia Agora e comentarista do Conversa de Redação