TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance de vídeo de Nikolas com mais de 160 milhões de visualizações
Campanha de Lula questiona possível favorecimento algorítmico do Instagram; ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou apresentação de dados técnicos sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de atraso

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta apresente, no prazo de 12 horas, um relatório técnico detalhando como ocorreu a distribuição de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que ultrapassou 160 milhões de visualizações no Instagram. A decisão foi proferida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, após representação apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O objetivo é esclarecer se o alcance da publicação ocorreu de forma orgânica ou se houve algum tipo de amplificação promovida pelos algoritmos da plataforma. Em caso de descumprimento da ordem judicial, a Meta poderá ser multada em R$ 100 mil por hora de atraso.
A ação foi motivada por um vídeo publicado por Nikolas Ferreira na última terça-feira (20), intitulado "O Nordeste que foi esquecido". A gravação reúne depoimentos de moradores da região com críticas ao governo federal e manifestações de apoio ao candidato do PL à Presidência.
Segundo a representação da campanha petista, o conteúdo alcançou mais de 160 milhões de visualizações em poucas horas, crescimento considerado suficientemente relevante para justificar a solicitação de esclarecimentos técnicos à plataforma.
A decisão, no entanto, não afirma que houve manipulação ou irregularidade. O próprio objetivo da medida é permitir que o tribunal tenha acesso às informações necessárias para verificar como ocorreu a distribuição da publicação.
Na decisão, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta informe dados técnicos relacionados ao funcionamento dos mecanismos de recomendação do Instagram, incluindo informações sobre eventual amplificação algorítmica do conteúdo.
O caso tramita no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), utilizada para apurar situações que possam comprometer a igualdade de oportunidades entre os candidatos durante o processo eleitoral.
Plataformas voltam ao centro da disputa eleitoral
Também nesta quinta-feira (22), a Meta recebeu outra determinação da Justiça Eleitoral. Em decisão separada, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, concedeu prazo de 24 horas para que a empresa apresente informações técnicas sobre o funcionamento do canal "Exército de Lula", no WhatsApp.
Embora tratem de situações distintas, as duas decisões reforçam o aumento da fiscalização da Justiça Eleitoral sobre a atuação das plataformas digitais na reta final do segundo turno das eleições presidenciais.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


