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Suplente pode acionar TSE contra desistência de ex-vereador de BH em ação que pode cassar chapa do PROS

Autair Gomes diz acompanhar processo e pode questionar decisão de Edmar Branco

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O processo tem potencial de cassar os vereadores Wesley Moreira e Cézar Gordin, eleitos pelo PROS, uma vez que foram eleitos fazendo parte da chapa que, supostamente, segundo a acusação, teria cometido irregularidades na formação das candidaturas femininas
O processo tem potencial de cassar os vereadores Wesley Moreira e Cézar Gordin, eleitos pelo PROS, uma vez que foram eleitos fazendo parte da chapa que, supostamente, segundo a acusação, teria cometido irregularidades na formação das candidaturas femininas • Divulgação

Apesar do ex-vereador Edmar Branco ter desistido de mover a ação eleitoral que pedia a cassação da chapa do PROS na eleição de 2020, outro ex-parlamentar da Câmara de Belo Horizonte acompanha "atentamente" os desdobramentos do processo - e pode, inclusive, entrar com uma petição para tentar impedir que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não analise a situação originalmente denunciada por Branco.

Em conversa com a coluna, o ex-vereador Autair Gomes (PSD), que ficou como suplente na eleição de 2020 e é interessado direto em uma possível cassação dos vereadores do PROS, afirmou que acompanha o processo e não refuta a possibilidade de acionar a Justiça questionando a desistência de Branco. "Há sim uma possibilidade de questionarmos, nosso jurídico está analisando a melhor opção", afirmou Gomes.

Na segunda-feira (7), a coluna mostrou que Branco desistiu da ação em que acusava o PROS de ter utilizado candidaturas femininas fictícias para burlar a cota feminina estabelecida por lei. No TRE mineiro, a ação chegou a ser aceita, mas a defesa do PROS recorreu ao TSE.

O processo tem potencial de cassar os vereadores Wesley Moreira e Cézar Gordin, eleitos pelo PROS, uma vez que foram eleitos fazendo parte da chapa que, supostamente, segundo a acusação, teria cometido irregularidades na formação das candidaturas femininas.

A desistência da ação aconteceu no final da semana passada e surpreendeu boa parte dos interlocutores políticos. Há quem aposte que um acordo informal foi feito com Branco, que já se movimenta para disputar, mais uma vez, uma cadeira na Câmara.

Recentemente, o TSE aceitou uma ação do PSOL que pedia a cassação da chapa do PRTB por motivos semelhantes aos argumentados por Branco. Na ocasião, Uner Augusto (PRTB) foi cassado e perdeu o mandato, sendo substituído por Cézar Gordin (PROS).

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.