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Senadores dos EUA pressionam governo a extraditar Bolsonaro após 8 de janeiro

Em carta enviada a Joe Biden, parlamentares do partido Democrata dizem que atos violentos foram alimentados por desinformação de Bolsonaro

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Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos no dia 30 de dezembro e pediu visto de turista
Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos no dia 30 de dezembro e pediu visto de turista • Divulgação/PR

Um grupo de nove senadores dos Estados Unidos, todos eles filiados ao Partido Democrata, pressionam o presidente norte-americano Joe Biden, também Democrata, a adotar medidas para extraditar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que desde o dia 30 de dezembro se "refugiou" no país.

Conforme revelado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (2), o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Menendez, liderou a assinatura de uma carta que acusa Bolsonaro de ter "alimentado" o "cerco violento" ao Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 8 de janeiro.

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Na ocasião, apoiadores do ex-presidente invadiram e destruíram as sedes dos Três Poderes, em um episódio que a imprensa norte-americana comparou ao cerco ao Capitólio - sede do Legislativo dos Estados Unidos - no dia 6 de janeiro de 2021.

No documento obtido pela Folha, os senadores condenaram os ataques.

"Condenamos o cerco violento ao Palácio do Planalto, ao Congresso e à Suprema Corte do Brasil conduzido por apoiadores do ex-presidente, evento que foi alimentado, em parte, por desinformação disseminada durante vários meses por Bolsonaro", diz trecho do documento, assinados pelos senadores Bernie Sanders, Ben Cardin, Bob Menendez, Chris Murphy, Chris Van Hollen, Dick Durbin, Jeanne Shaheen, Jeff Merkley e Tim Kaine.

Os senadores também querem que plataformas digitais e aplicativos de mensagem, como Whatsapp e Telegram adotem medidas para combater desinformação.

Em entrevista à Folha, o senador Dick Durbin classificou o 8 de janeiro como um "ataque à democracia global".

"É uma vergonha que Bolsonaro estivesse nos EUA tirando selfies durante esse episódio deplorável. Propus essa legislação para garantir que autoridades que sabotam eleições livres e justas não possam fugir para os EUA para escapar de responsabilização", afirmou.

Visto de turista

Nos Estados Unidos desde o dia 30 de dezembro, Jair Bolsonaro deu entrada junto ao governo norte-americano a um pedido de visto de turista por seis meses no dia 27 de janeiro. Uma agência foi contratada para cuidar do trâmite burocrático, que pode durar alguns meses.

O advogado de Bolsonaro, Felipe Alexandre, o orientou a não deixar os EUA até o fim do processo.

Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos na véspera do término do seu mandato, utilizando o visto A-1, concedido a chefes de estado ou de governo. O visto se encerrou no dia 1º de janeiro, mas há um período de 30 dias para que ele possa ser utilizado. Ou seja, o visto de entrada de Bolsonaro no país norte-americano se encerrou no dia 31 de janeiro.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente, declarou que não tinha informações sobre o retorno do pai ao Brasil e que ele poderia retornar ao país "amanhã, daqui a seis meses ou nunca".

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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.