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Sem Rússia e China, Brasil busca protagonismo na Cúpula do G20

Com evento esvaziado, sem os presidentes da China e da Rússia, Brasil tenta manter protagonismo no G20

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Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden e presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden e presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva • Ricardo Stuckert

Assumindo a presidência do G20, bloco formado por 19 países e a União Europeia, o presidente Lula vai tentar, como tem feito desde início do mandato, retomar a posição de líder mundial que teve nos seus dois primeiros governos. Lula disse na campanha eleitoral que tentaria recolocar o Brasil no mapa geopolítico internacional e tem seguido à risca seus objetivos de intensificar as relações. Até o momento já fez 19 viagens em 8 meses de governo.

G20 e Mercosul

O Brasil, neste momento, conta com um ponto a favor que é o comando de dois blocos mundiais importantes, já que assumiu a presidência do Mercosul em julho e, em dezembro, assumirá o comando do G20. Lula adiantou como prioridade, a frente do bloco que reúne as principais economias do mundo, o combate à fome e à pobreza. O tema é uma bandeira das gestões petistas, que Lula conhece muito bem. Outro ponto é a questão climática pela qual o Brasil tem brigado, inclusive na costura do acordo com a União Europeia. Na avaliação dos brasileiros, e esse argumento é usado pela esquerda e pela direita, os países em desenvolvimento, como o Brasil, não podem se sacrificar mais do que os países desenvolvidos para garantir a descarbonização do planeta e a redução do aquecimento global.

Rússia x Ucrânia

Lula tentou ainda se arriscar como um mediador do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, mas não teve êxito. A leitura de Volodymyr Zelensky parece ser a de que o Brasil tem sido omisso ante a ofensiva de Vladimir Putin. Tanto a gestão de Lula quanto a de Jair Bolsonaro não entraram em rota de colisão com a Rússia, importante parceiro comercial do Brasil. O país é o principal fornecedor de fertilizantes para produção agrícola brasileira.

Ausências

A edição atual da Cúpula do G20 tem uma peculiaridade. O bloco está rachado. Com a ausência da China e da Rússia, que gera um esvaziamento e impede a construção de diversas diretrizes, a tendência é que os Estados Unidos assumam um protagonismo, mas pode haver também um espaço importante para o Brasil. O presidente Lula tem a vantagem de presidir o G20 no próximo ano, o que dará a ele mais espaço pra se colocar.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.