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Segurança jurídica domina debates do CNN Talks e reúne ministros, empresários e magistrados

Evento promovido pela CNN Brasil, em parceria com a Itatiaia e o Instituto Barla, discutiu os impactos da previsibilidade das regras para investimentos, crescimento econômico e geração de empregos

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CEO da CNN Brasil fala no CNN Talks
CEO da CNN Brasil fala no CNN Talks • Aline Pessanha | Itatiaia

Brasília recebeu nesta quarta-feira (5), uma das principais discussões sobre o ambiente de negócios no país. O CNN Talks reuniu ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de representantes do setor produtivo, magistrados, advogados e empresários para debater um tema considerado estratégico para o desenvolvimento econômico: a segurança jurídica.

Ao longo da programação, os participantes defenderam que a estabilidade das regras, o respeito aos contratos, a previsibilidade das decisões e o fortalecimento das instituições são fatores decisivos para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a competitividade da economia brasileira.

Na abertura do evento, o CEO da CNN Brasil e da Rádio Itatiaia, João Vitor Xavier, destacou que a discussão ultrapassa o interesse de investidores e afeta diretamente a vida dos brasileiros: "A segurança jurídica é fundamental, não só para quem investe, mas para quem está em casa, para ter a garantia da sua conta de luz, da sua conta de água, do seu imposto, para que não mude a regra todo dia."

Segundo João Vitor, promover esse debate faz parte do compromisso editorial da CNN com temas ligados ao desenvolvimento econômico:"A CNN trabalha pelo desenvolvimento econômico do Brasil, pela geração de emprego e pela geração de renda, cumprindo seu papel de trazer um debate tão importante reunindo alguns dos maiores nomes do Judiciário brasileiro."

Empreendedor precisa conhecer as regras do jogo

Parceiro institucional do encontro, o Instituto Barla apresentou sua proposta de colocar a segurança jurídica no centro do debate econômico.

O presidente da entidade, Chicão Bulhões, afirmou que a falta de previsibilidade afeta desde grandes investidores até pequenos comerciantes: "Todo empreendedor, seja ele pequeno ou grande, já sentiu isso na pele no Brasil. Se você não sabe qual é a regra do jogo, você não consegue saber se quer jogar aquele jogo ou não. Ou até se vai ganhar ou perder."

Para Bulhões, o excesso de burocracia e as constantes mudanças regulatórias acabam desestimulando novos negócios: "Essa sensação de insegurança afasta investimentos e até a veia empreendedora do brasileiro. Muitas pessoas sonham em abrir um negócio, mas encontram um emaranhado de regras que não entendem."

Ele afirmou ainda que o Instituto Barla foi criado justamente para ampliar essa discussão: "Quando falamos de economia, normalmente discutimos juros, inflação e contas públicas. Mas pouco se fala sobre as regras do jogo que afetam quem está produzindo e empreendendo todos os dias."

STF defende estabilidade das regras

Um dos momentos mais aguardados da programação foi a entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, conduzida pelo diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, e pela analista política Isabel Mega. Durante a conversa, Mendonça afirmou que previsibilidade é condição indispensável para o desenvolvimento econômico.

O ministro defendeu maior estabilidade das normas, criticou mudanças frequentes na legislação e ressaltou que o Poder Judiciário deve respeitar o princípio da legalidade para evitar insegurança jurídica. Também afirmou que as agências reguladoras precisam atuar com autonomia técnica e que alterações constantes nas regras comprometem a confiança dos investidores.

Judiciário debate previsibilidade

Outro painel reuniu representantes do Conselho Nacional de Justiça, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, da ABCON e do escritório Demarest Advogados para discutir os desafios da segurança jurídica no cotidiano das empresas.

Durante o debate, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que previsibilidade não significa impedir mudanças, mas garantir que elas ocorram de forma transparente e fundamentada: "Isso nos dará credibilidade, isso gerará previsibilidade e isso gerará uma estabilidade que não é permanente, não é absoluta e não gera imobilização."

Segundo o ministro, a atuação do Judiciário deve equilibrar segurança jurídica e capacidade de adaptação às transformações da sociedade: "Nós temos que enfrentar todos os aspectos para mostrar por que determinada decisão é válida para a sociedade. É isso que fortalece a confiança nas instituições."

Infraestrutura, agronegócio e ambiente de negócios

Além da segurança jurídica, o CNN Talks também abordou temas como infraestrutura, regulação econômica, agronegócio e competitividade.

Os participantes defenderam que o país avance na modernização das instituições, reduza a burocracia e fortaleça mecanismos que garantam estabilidade regulatória para estimular investimentos de longo prazo.

A avaliação predominante entre autoridades, empresários e especialistas foi a de que segurança jurídica deixou de ser apenas uma pauta do meio jurídico e passou a ocupar posição central no debate sobre crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento do Brasil.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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