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Secretária municipal é chamada de 'panicat' por vereador em Pouso Alegre e Câmara divulga moção de repúdio

A fala do vereador em Plenário repercutiu nas redes sociais e chegou a gerar um protesto na Câmara Municipal contra o suposto comentário machista de Bruno Dias

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Câmara Municipal divulgou moção de repúdio contra falas consideradas 'machistas' de vereador • Redes Sociais

Em Pouso Alegre, no Sul de Minas, uma secretária municipal foi chamada de panicat, termo usado para se referir a dançarinas do antigo programa Pânico, pelo vereador Bruno Dias (União Brasil). O comentário foi feito pelo parlamentar no dia 12 de novembro em uma reunião na Câmara Municipal.

Se fosse a pedido da 'panicat' do 'Guarda Belo', será que a licitação já tinha sido feita?

Ironizou o vereador no plenário.

Para a Itatiaia, a secretária de Comunicação, Lazer e Turismo de Pouso Alegre, Jaqueline da Costa, disse que não foi a primeira vez que o vereador fez ataques direcionados a ela. "Quando me candidatei há vereadora, em 2016, eu estava na prefeitura e ele deu três tapinhas no meu ombro e disse: 'você vai ser escadinha para eu subir?", afirmou para a reportagem.

Ela conta que se sentiu bastante ofendida com a situação. "Se não temos o emocional preparado, esse tipo de fala trava a gente, nos bloqueia", explicou.

Segundo Jaqueline, Bruno Dias não pediu desculpas pelo comentário e, inclusive, fez vídeos nas redes sociais ironizando o acontecido. Em uma publicação, divulgado no perfil do vereador no Instagram, ele pede "desculpas" para Jaqueline Khury Cardoso, por ser "a única panicat" que ele conhece com este nome. A modelo, conhecida como Jaque Khruy, foi dançarina do programa Pânico em 2011.

A secretária detalhou, para a reportagem, que o vereador tenta, constantemente, atingir mulheres de forma "pejorativa". "Percebo que não é só comigo, os outros [parlamentares] viam e comentavam: 'Nossa, para quê falar isso?'. Acredito que tem o foco em mulheres", detalhou.

[read_too_auto query_format="category" posts_limit="3" posts_origin="politica" title="Leia também"][/read_too_auto]Depois da ofensa, o vereador Igor Tavares (PSD), rebateu o comentário de Bruno Dias e afirmou que é por conta de "falas machistas" que não há vereadoras mulheres em Pouso Alegre.

Não podemos nos destacar em cargos de liderança porque homens como esse sujeito [Bruno Dias] nos enxergam como objeto

Disse a secretária Jaqueline para a Itatiaia.

Jaqueline informou que ainda irá pedir um posicionamento da loja maçônica em que o vereador seria presidente e também do colégio em que ele atua como diretor. "Não é uma questão partidária. Não é uma causa de direita ou de esquerda. É de direitos. Estamos buscando nossos direitos", explicou.

A Itatiaia procurou Bruno Dias, mas até o momento, não tivemos retorno.

Confira a moção de repúdio assinada por 11 dos 15 vereadores:

A Câmara Municipal de Pouso Alegre, representada pelos vereadores abaixo assinados, vem a público expressar sua profunda indignação diante das declarações machistas e desrespeitosas proferidas pelo vereador Bruno Dias durante a 41ª Sessão Ordinária, em 12 de novembro de 2024.

Ao insinuar que a Secretária Municipal de Comunicação, Lazer e Turismo, Sra. Jaqueline Lima da Costa, seria uma “panicat”, o vereador cometeu um ataque direto à dignidade de uma mulher que serve a nossa cidade com competência e dedicação. Este comentário não só desrespeita uma servidora pública em posição de liderança, mas também reforça estereótipos pejorativos que objetificam e diminuem as mulheres, tratando-as como objetos de julgamento superficial, e não como profissionais qualificadas.

Cabe a nós, enquanto representantes do povo, defender o respeito e a igualdade, especialmente para aquelas mulheres que ocupam posições de liderança e, por isso, enfrentam desafios e julgamentos adicionais baseados em preconceitos ultrapassados. Mulheres em cargos de comando carregam em seus ombros o peso de uma história que, por muito tempo, lhes negou voz e presença. Não podemos permitir que discursos desrespeitosos e sexistas encontrem eco em nossa Casa, pois cada ataque a uma mulher líder é um ataque a todos os avanços que conquistamos na luta por justiça e igualdade.

Deste modo, pedimos que esta moção de repúdio seja aprovada e registrada como um compromisso desta Câmara com a proteção e valorização de todas as mulheres.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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