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Renova diz que irá apurar 'eventuais prejuízos' gerados por atuação de falso frei em comitê técnico da fundação

Phillip Neves Machado atuou no grupo entre 2018 e 2020; ele é investigado pelo MPF

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Phillip Machadopassou a ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal depois da reportagem da Itatiaia indicando a fraude.
Phillip Machadopassou a ser investigado pelo Ministério Público Federal  • Reprodução

A Fundação Renova afirmou, em nota divulgada na tarde desta terça-feira (6), que fará uma apuração sobre eventuais prejuízos decorrentes da atuação do falso frei Phillip Neves Machado como membro do Comitê Técnico-Científico da instituição entre 2018 e 2020. Nomeado perito judicial pela Justiça Federal no processo que julga ações de reparação a atingidos pela barragem de Mariana, Machado mentiu possuir currículo e especializações e inventou ser frei da Igreja Católica.

Na semana passada, reportagem da Itatiaia mostrou que o "frei" Phillip Machado já recebeu quase R$ 2 milhões da Justiça Federal, através de pagamentos da Fundação Renova, para atuar como perito socioeconômico no processo referente às indenizações feitas pela mineradora Samarco, proprietária da barragem de Fundão, que se rompeu em 2015. Nos autos, ainda estavam previstos para ser repassados a Machado mais R$ 900 mil.

Ele passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal depois da reportagem da Itatiaia indicando a fraude.

Em nota, a Renova disse que tomou conhecimento das declarações de Machado a respeito das "informações inverídicas de seu currículo e acompanhará os desdobramentos do caso na Justiça". Nesta terça, o falso frei enviou assumiu ter mentido sobre tudo. Em gravação de voz enviada a pessoas que atuam junto aos atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana, Phillip Machado pede perdão e que, no tempo certo, irá "revelar toda a verdade".

"A Fundação Renova tomou conhecimento das declarações do perito nomeado pela Justiça Federal, o Sr. Phillip Neves Machado, a respeito de informações inverídicas de seu currículo e acompanhará os desdobramentos do caso na Justiça. Sobre a atuação do senhor Machado como membro do Comitê Técnico-Científico da instituição entre novembro de 2018 e outubro de 2020, serão apurados os eventuais prejuízos decorrentes de falsas declarações a respeito do currículo e avaliadas as medidas jurídicas cabíveis", diz o posicionamento.

A Renova ainda não esclareceu como o nome de Phillip Machado foi indicado para participar do Comitê Técnico da fundação.

A Fundação Renova foi criada em 2016 a partir de um acordo entre o MPMG e o MPF com as mineradoras Samarco, proprietária da barragem de Fundão, rompida em 2015, Vale e BHP Billiton - controladoras da Samarco.

O rompimento da barragem de Fundão deixou 19 mortos e um dano ambiental ainda incalculável.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.