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Relator recomenda suspensão de Lucas Bove da Alesp por violência de gênero

Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo deve votar, na próxima quarta-feira (29), o parecer de Emídio de Souza (PT)

Por, de São Paulo
Rodrigo Costa | Alesp

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vota, na próxima quarta-feira (29), o parecer do deputado Emídio de Souza (PT), que recomendou a suspensão por 30 dias do deputado Lucas Bove (PL) por violência de gênero ao invés da cassação do mandato. Se formar maioria, a pena aplicada ao deputado será analisada em plenário.

O parecer do petista foi divulgado nessa sexta-feira (24). O caso ocorreu em setembro do ano passado, após um bate-boca com a deputada Mônica Seixas (PSol), que afirmou que Bove estaria intimidando outra parlamentar.

A briga começou enquanto Mônica discursava na tribuna a respeito da nomeação do corregedor-geral do estado Wagner Rosário. A parlamentar usou o microfone para perguntar se a sua colega, Professora Bebel (PT), estava incomodada com Bove, que conversava com ela na plateia.

“Ele tem mania, ele fala mesmo, fala com a mão, aquela coisa toda. E é ruim, vamos combinar, vamos nos educar. Eu falo com a mão também. Vamos no educar, porque isso é também uma forma de assédio. É bom que você entenda, Lucas, que nós mulheres, que por mais que a gente conquiste espaços, é difícil a gente enfrentar o que tem que enfrentar para ocupar um espaço”, afirmou a Professora Bebel (PT) a respeito da abordagem de Lucas Bove.

O deputado do PL se incomodou com a pergunta e começou a gritar, dando início ao bate boca. De um lado, Bove, gritava frases como “não se mete nas conversas dos outros, folgada”, enquanto Seixas respondia, também gritando: “Ninguém tem medo de você. Está muito acostumado a ser violento com mulher”.

No parecer, Emídio de Souza (PT) reconheceu violação ao decoro parlamentar e elementos de violência política de gênero, porém argumentou pela suspensão como medida "proporcional e adequada".

"O que emerge dos autos não é um momento de exacerbação retórica, mas um padrão de conduta. E padrões, ao contrário dos impulsos, têm direção. A direção, aqui, não aponta para o debate de ideias, mas para a deslegitimação da interlocutora”, afirmou o relator do processo.

O petista pontuou também que "o espaço político não pode ser utilizado como ambiente de constrangimento sistemático, sob pena de comprometimento de sua própria legitimidade". E justificou que "a suspensão do mandato [...] cumpre dupla função: repressiva, ao impor consequência concreta e imediata à conduta incompatível com o decoro; e pedagógico-institucional, ao reafirmar [...] os limites do exercício legítimo da atividade parlamentar”.

O que diz Mônica Seixas?

“Bove responde na Justiça. É réu nesse mesmo caso contra mim. E na Justiça comum por violência doméstica contra Cíntia Chagas. Eu pedi o que julgo justo. Mas sei que o relator construiu a proposta de pena que julga possível e aponta para que ele não saia impune. Eu acredito nisso. Ainda que o resultado final não seja o que eu pedi será uma vitória das mulheres ele terminar afastado. O contrário seria muito corporativismo masculino. Um MÊS é uma advertência, um recado do parlamento que diz: não faça mais isso”.

O que diz Lucas Bove?

“Esta nova denúncia, a quinta em um ano, é mais um capítulo da perseguição política das feministas contra um deputado que defende a família, os valores cristãos e que tem 22 leis relevantes sancionadas em três anos. Discussões acaloradas são comuns em plenário, onde trato com igualdade todos os parlamentares, sendo contundente em minhas argumentações independentemente do gênero de quem está do outro lado. Tenho excelente relação com a maioria das deputadas da Casa, inclusive com as do PT, porém este pequeno grupelho que não tem trabalho para mostrar precisa desse tipo de atenção em período eleitoral.”

Réu em outro processo

Lucas Bove (PL) também é réu por violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas da ex-esposa, Cintia Chagas, com quem foi casado por cerca de três meses, em 2024.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.