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Projetos da gestão Kalil para conter enchentes em BH acumulam atrasos, problemas técnicos e suspeitas

Após retomada de obra na Praça das Águas, Nado 1 e Vilarinho 2 seguem paralisadas, sem data para reinício

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Obra de recapeamento entre a Av. Pedro II e a Av. Carlos Luz, faixa da direita
Obra da Praça das Águas, em Belo Horizonte • BHTrans/ reprodução

O pacote de obras de drenagem urbana nas regiões norte e nordeste de Belo Horizonte segue testando a paciência dos moradores locais. Das quatro grandes obras prometidas entre 2020 e 2022, apenas UMA está concluída. Das outras três, duas foram paralisadas por suspeitas de irregularidades e uma para 'ajustes técnicos'.

Nesta semana, como vem mostrando a Itatiaia, foram retomadas as obras na Praça das Águas, após mais de um ano de paralisação por suspeita de irregularidades.

O reservatório profundo Vilarinho 2, em Venda Nova, também teve obras paralisadas em setembro passado. Não há data para retomada das ações. Já o reservatório Nado 1, também em Venda Nova, foi paralisado em maio de 2025 por problemas estruturais.

Após pesquisas no Diário Oficial do Município, nos portais oficiais da prefeitura, conversas com gestores atuais e pessoas que deixaram recentemente a administração pública, a Itatiaia traça abaixo um cronograma das quatro obras.

Vilarinho 2 e Praça das Águas - Suspeita de Irregularidades

Praça das Águas

A Praça das Águas faz parte do pacote de obras do vetor Norte de BH, projetadas na gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil (2017-2022).

Licitada e iniciada em 2022, na gestão do ex-prefeito Fuad Noman (2022-2025), a obra atua como reservatório e controle de fluxo do Ribeirão Pampulha e do Córrego Cachoeirinha.

Localizada na Avenida Cristiano Machado, entre os bairros São Gabriel, Vila Suzana e Primeiro de Maio, tem o objetivo de evitar o transbordamento da água e o consequente alagamento da avenida Cristiano Machado e adjacências. Os cursos d'água Pampulha e Cachoeirinha formam, juntos, o Ribeirão do Onça.

O reservatório tem capacidade para 27 milhões de litros de água. Iniciada em 2022, a obra foi paralisada em setembro de 2025 por ordem do prefeito Álvaro Damião, que alega ter percebido indícios de irregularidades nos contratos de licitação. A prefeitura notificou o Ministério Público, que passou a investigar a obra. O MP pediu a suspensão de quaisquer pagamentos por parte da PBH às empresas envolvidas na investigação.

Uma nova licitação foi lançada, com valor de 46,9 milhões de reais. As obras foram retomadas em 13 de outubro, e o reservatório, que já estava 60% pronto, deve ficar concluído em dezembro de 2027.

A conclusão total das obras, com ações de paisagismo e ajustes viários, tem prazo até junho de 2028.

Vilarinho 2

Iniciada no primeiro semestre de 2021, na gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil, a obra teve duas fases concluídas, até ser suspensa em setembro de 2025 por ordem do prefeito Álvaro Damião, que alega ter percebido indícios de irregularidades nos contratos de licitação. A prefeitura notificou o Ministério Público, que passou a investigar a obra. O MP pediu a suspensão de quaisquer pagamentos por parte da PBH às empresas envolvidas na investigação.

O reservatório Vilarinho 2 fica na Avenida Vilarinho, em Venda Nova. A estrutura foi projetada para armazenar cerca de 115 milhões de litros de água e, atualmente, funciona com metade da capacidade, conforme a prefeitura.

Com autorização da justiça, uma nova licitação foi lançada em setembro desse ano, com prazo para envio de propostas até 13 de outubro. Agora, a prefeitura analisa as propostas e deve publicar o resultado nas próximas semanas. O valor para a conclusão da obra é estimado em 67,5 milhões de reais.

Nado 1

As obras tiveram início no primeiro semestre de 2021, na gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil. O reservatório tem capacidade prevista para 115 milhões de litros d'água, e fica no encontro da Avenida Vilarinho com a Rua Doutor Álvaro Camargos, próximo à região da Estação Venda Nova e ao Bairro São João Batista.

As obras foram paralisadas em maio de 2025 pelo prefeito Álvaro Damião. À época, Damião justificou a medida como sendo necessária diante de 'desafios técnicos' da estrutura. Conforme a prefeitura, aumento do nível de água e instabilidades do solo inviabilizaram o prosseguimento das ações.

A prefeitura de Belo Horizonte revisa os projetos de execução do reservatório Nado 1 e espera retomar essa obra em 2027.

Vilarinho 1 - obra pronta

A única obra concluída é a menor de todas, o reservatório Vilarinho 1 - que tem capacidade para 10 milhões de litros de água, e custou 12,8 milhões aos cofres públicos, conforme dados da PBH.

Essa obra foi iniciada no meio de 2020, e concluída 18 meses depois - em janeiro de 2022 - período em que Alexandre Kalil era prefeito.

Localizada na Avenida Vilarinho com Rua Doutor Álvaro Camargos e rua Maçom Ribeiro, a caixa de retenção tem como objetivo recolher o volume excedente das chuvas e das redes de drenagem do entorno. Com isso, visa drenar o excesso de águas sobre as vias durante os eventos chuvosos mais intensos, reduzindo o risco de alagamentos.

Após a repercussão da nossa reportagem sobre as obras de drenagem de Belo Horizonte, é importante reforçar que informar que os contratos estão sob investigação por suspeitas de irregularidades não significa afirmar que alguém foi condenado por corrupção. A nossa cobertura se baseia nos fatos relacionados às investigações e à paralisação das obras. Também é importante esclarecer que os empreendimentos passaram por diferentes administrações, com etapas distintas de projeto, licitação e execução.

Em nota, o ex-prefeito disse que "curiosamente, todos os problemas de corrupção na Prefeitura de Belo Horizonte, da Secretaria de Educação à Secretaria de Obras, começaram após a minha saída".

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