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Primeiras doses de insulina em parceria com o Ministério da Saúde são entregues em Nova Lima

Marcando a primeira fase do processo de transferência de tecnologia, a biofábrica Biomm recebeu, nesta sexta-feira (11), 800 mil doses de insulina humana, e pretende em até 5 anos conseguir produzir o hormônio aqui no país

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Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Nova Lima nesta sexta-feira (11)
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Nova Lima nesta sexta-feira (11) • Edson Costa / Itatiaia

As primeiras doses de insulina humana do Programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, do Ministério da Saúde, chegaram ao Brasil através de uma biofarmacêutica de Nova Lima, na Grande BH. Marcando a primeira fase do processo de transferência de tecnologia, a biofábrica Biomm recebeu, nesta sexta-feira (11), 800 mil doses de insulina humana, e pretende em até 5 anos conseguir produzir o hormônio aqui no país, tendo em vista que há 20 anos o Brasil importa o medicamento, fundamental para controle de doenças como o diabetes, por exemplo.

Porém, a empresa já é responsável pela produção da insulina glargina desde dezembro do ano passado, quando venceu a licitação do Ministério da Saúde para produzir 3,3 milhões de doses, que estão sendo enviadas para entidades privadas e ao SUS. O hormônio também não era produzido por nenhuma fábrica brasileira há duas décadas. Futuramente, a Fundação Ezequiel Dias (FUNED), e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), devem se integrar à fábrica biofarmacêutica para ampliar a produção nacional para o SUS. Neste primeiro momento, houve a parceria com uma fábrica indiana, a Wockhardt ,que fez as primeiras doses, e contribuiu com a transferência de tecnologia estrangeira para iniciar a produção desta outra insulina no país.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, visitou a sede da empresa na região metropolitana, para receber as doses. “Hoje é um dia histórico para a saúde pública brasileira, depois de mais de duas décadas que o Brasil não produzia uma insulina humana produzida aqui no Brasil para ser entregue para o sistema único de saúde e para a saúde brasileira como todo, a gente vê esse momento onde a gente celebra a entrega da insulina recombinante humana. São mais de 800.000 unidades entregues hoje para o Ministério da Saúde e para o Sistema Único de Saúde”, explica.

“A expectativa é mais de 1 milhão de unidades que vão ser entregues nos próximos meses. Um investimento de mais de R$ 100 milhões envolvendo o BNDES, envolvendo ações do Ministério. Só para esse processo da compra final dos produtos da insulina são mais de R$ 140 milhões de investimento e uma parceria que junto ao Ministério da Saúde, a Funed aqui do Estado de Minas Gerais, a Biomm, que é uma empresa nacional mineira e uma empresa indiana a Workhard”, descreve.

Rafael Costa, um dos diretores da Biomm, explica o que falta para que a empresa passe a produzir insulina humana dentro do programa do Ministério da Saúde. “Existe um cronograma dentro do projeto executivo onde a gente respeita essa transferência de tecnologia. Isso pode acontecer entre três e cinco anos e a transmissão de tecnologia é feita pelo parceiro internacional para Biomm importada. A gente recebe o produto aqui, a gente fatura com a nota com a nota Funed e entrega no armazém de Guarulhos do Ministério da Saúde. Com o avançar deste projeto vai ser feita a produção local, a tecnologia na Biomm e na Funed”, destaca.

O prefeito de Nova Lima, João Marcelo (Cidadania), celebrou o recebimento das doses.

“A Biom é um orgulho para a nossa cidade. A maior fábrica de insulina da América Latina e está na nossa cidade, é mineira, é novalimense. E mais um passo importante, hoje a gente recebe o ministro Alexandre Padilha para fazer uma visita e eu acho que é importante o poder público municipal deixar as suas contribuições. O que a gente tem feito aqui é buscar, por exemplo, qualificar a mão de obra, preparar o novalimense para que ocupe as oportunidades, como a gente tem hoje um maior programa de qualificação técnica da história de Nova Lima, dentre os cursos têm a biotecnologia, que é voltada exatamente para a formação de mão de obra”, pontua.

Com a expansão do programa, o Ministério da Saúde espera que 350 mil pessoas com diabetes sejam beneficiadas.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.