Belo Horizonte
Itatiaia

Prefeitura de BH lembra manifestações de 2013 para barrar reajuste de 53% na passagem de ônibus

Em recurso ao TJMG, prefeitura diz que serviço é 'deficiente' e que aumento tem potencial para provocar 'caos público'

Por
Em junho de 2013, milhares de manifestantes protestaram contra reajuste das passagens de ônibus
Em junho de 2013, milhares de manifestantes protestaram contra reajuste das passagens de ônibus • Léo Rodrigues/Agência Brasil

A Prefeitura de Belo Horizonte apontou a possibilidade de manifestações populares para tentar barrar o aumento no preço das passagens de ônibus na Justiça. O recurso foi encaminhado ao presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Arthur Filho no fim da tarde desta terça-feira (4) após uma decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte.

Em uma peça de 16 páginas assinada pelo Subprocurador-Geral do Contencioso, Caio Perona, a Prefeitura de Belo Horizonte classifica o aumento como abusivo, diz que o serviço público prestado pelas concessionárias de ônibus é "deficiente" e cita que o aumento de R$ 2,40 no preço da passagem pode provocar manifestações populares, como ocorreu no caso das chamadas "Jornadas de Junho", em 2013.

"O reajuste pretendido para R$ 6,90, que tornaria Belo Horizonte a cidade com a tarifa mais cara entre as capitais do Brasil, tem o potencial de provocar grandes manifestações por parte de movimentos sociais e da população em geral", diz trecho do recurso do Executivo municipal.

Na peça, a prefeitura diz que o reajuste de 53% tem, ainda potencial de "gerar um caos na ordem pública".

"É importante relembrar que as manifestações de 2013, fato já integrante da história recente do Brasil sob a denominação de Jornadas de Junho foram deflagradas exatamente após o reajuste das tarifas de ônibus em R$ 0,20 centavos. Portanto, além de grave lesão à ordem e economia públicas, a manutenção da decisão, que impõe um possível aumento de R$ 2,40 na passagem, tem potencial de colocar em risco a segurança da população e gerar um caos na ordem pública", afirmou.

Serviço 'deficiente'

A decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública, tomada na tarde desta terça-feira (4), atende a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH). As concessionárias alegam que o preço da passagem está congelado desde 2018 e que o contrato prevê reajuste anual baseado na chamada "fórmula paramétrica". Com base nesse cálculo, segundo as empresas, o preço da passagem deveria passar, imediatamente, de R$ 4,50 para R$ 6,90.

A Justiça acolheu a alegação e determinou que a prefeitura proceda com o reajuste pretendido pelas empresas. Em paralelo, a decisão também prevê a contratação de um perito, que tem prazo de 90 dias para produzir um laudo técnico para embasar o novo preço da passagem de ônibus em Belo Horizonte.

Ainda no recurso apresentado pela prefeitura, a Procuradoria alega que a fórmula paramétrica não pode ser avaliado de forma separada, sem levar em conta a economia municipal e a qualidade do serviço oferecido pelas empresas.

"Não é possível desconsiderar que são notórias as deficiências na prestação do serviço de transporte público por ônibus em Belo Horizonte", afirmou.

A decisão do TJMG sobre o reajuste da tarifa deve ser tomada até esta quarta-feira (5).

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.