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Prefeitos mineiros dizem que falta de repasse do governo Lula pode paralisar serviços do Samu

Consórcios apontam a falta de repasses do governo federal para manutenção do SAMU; ministro da Saúde afirma que prefeitos mentem e que pasta fez reajuste em 2023

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Samu
Idoso morre após sofrer parada cardíaca em avenida na Savassi, em BH • Breno Esaki/Agência Saúde

Prefeitos de 10 consórcios intermunicipais denunciam que não estão recebendo recursos do governo Lula na proporção adequada para manter o serviço do SAMU em Minas Gerais.

Os chefes dos Executivos temem que o serviço tenha que ser paralisado por falta de dinheiro. Um dos líderes do movimento e que tem buscado solução para o problema é o presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência Centro-Sul, o prefeito de Barbacena, Carlos Du, do PSD.

"Como nós sabemos, o SAMU é mantido hoje pelo município, estado e União. Os municípios através do consórcio, o estado repassa também o consórcio e da mesma forma a União. A divisão é, ou deveria ser, 50% União, 40% estado, 10% dos municípios através do chamado contrato de rateio, onde as prefeituras, os municípios que compõem aquele consórcio daquele território, repassam o valor per capita. O que acontece é que em todos os dez consórcios do estado de Minas Gerais hoje, os repasses dos municípios são maiores para conseguir manter a conta. O estado, na boa parte, mantém o valor correto, o valor que tem que ser repassado e a União em nenhum dos consórcios chega próximo, chega perto do que ela deveria repassar. Então esses valores que não são repassados ao consórcio estão nos estrangulando", afirmou o prefeito.

"O nosso déficit estimado para esse ano é de mais de R$ 54 milhões. E aí nós temos diversos problemas que a gente enfrenta no dia-a-dia. Um deles, o nosso condutor socorrista, que é a classe menos valorizada, ou a classe que não é valorizada dentro do SAMU do estado de Minas Gerais, nós não conseguimos dar um salário digno para eles. Hoje eles estão recebendo de R$1.500 a R$1.800 reais, um condutor socorrista. Tem que, às vezes, colocar jornada dupla para conseguir complementar o seu salário. É o primeiro profissional a chegar na cena. Ele tem que fazer, às vezes, do técnico, o que for necessário. Trabalha muito e, infelizmente, não é valorizado, porque a gente não consegue chegar num valor mínimo aceitável para essa classe, porque não tem dinheiro", reclama o prefeito de Barbacena.

Ministro da Saúde diz que prefeitos mentem

A reportagem da Itatiaia levou as reclamações dos prefeitos ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que cumpriu agendas em Minas Gerais na segunda-feira (16). Padilha subiu o tom e negou que o governo Lula esteja passando recursos abaixo das obrigações constitucionais.

"Primeiro que é mentira que o governo federal repasse abaixo do piso constitucional. Primeiro que é mentira que exista um piso constitucional para o SAMU. Não existe isso. Então, se alguém está soltando essa informação, está fazendo uma informação mentirosa. Não existe piso constitucional para o SAMU e, muito menos, o ministério. O ministério reajustou o SAMU, inclusive. O último reajuste que tinha tido do SAMU no Brasil foi quando eu fui ministro em 2012 e 2013. Depois ficou todo esse período, dez anos, sem um reajuste do Ministério da Saúde para os estados e municípios do SAMU", disse o ministro.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.