Polícia Federal arquiva apuração sobre suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras
Apuração preliminar havia sido aberta após representação da Advocacia-Geral da União sobre um programa dos Estados Unidos que previa financiamento a organizações que atuam no Brasil; o procedimento havia sido instaurado após representação encaminhada pelo orgão

A Polícia Federal (PF) decidiu arquivar a apuração preliminar aberta para analisar uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O procedimento havia sido instaurado após representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que levantou suspeitas sobre um programa de financiamento norte-americano destinado a organizações que atuam no Brasil.
A AGU confirmou que foi comunicada oficialmente sobre o arquivamento da análise pela Polícia Federal.
A existência da apuração foi divulgada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no último domingo (4), data do primeiro turno das eleições.
Na ocasião, Rodrigues informou que a representação enviada pela AGU havia sido encaminhada à Diretoria de Inteligência da PF para uma análise inicial. Segundo ele, tratava-se de um procedimento preliminar, ainda sem a abertura formal de inquérito policial.
O que motivou a representação
O pedido da AGU teve como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que revelou a existência de um projeto do Departamento de Estado dos Estados Unidos denominado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil".
Segundo a publicação, o programa previa cerca de R$ 5 milhões para financiar organizações brasileiras críticas ao que classificam como abuso do Poder Judiciário e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os recursos fariam parte de um pacote internacional de aproximadamente US$ 175 milhões, destinado a iniciativas de direitos humanos em diferentes países.
Ainda de acordo com o jornal, além do Brasil, o financiamento contemplaria projetos em outras regiões do mundo, incluindo um fundo anticomunista, iniciativas voltadas a grupos de sul-africanos brancos e programas de apoio a aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa.
A divulgação do programa ocorreu em meio ao aumento das tensões entre os governos brasileiro e norte-americano em torno de decisões envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o financiamento poderia representar uma tentativa de influência externa sobre o ambiente político brasileiro durante o processo eleitoral.
Nos últimos meses, a relação entre os dois países já havia sido marcada por divergências envolvendo o STF. Em 2025, o ministro Alexandre de Moraes chegou a ser alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, posteriormente revogadas pelo governo norte-americano.
Com o arquivamento do procedimento, a Polícia Federal decidiu não dar prosseguimento à apuração preliminar iniciada a partir da representação da AGU. Até o momento, não foi divulgada manifestação oficial da corporação detalhando os fundamentos da decisão.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


