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Aliança com Cleitinho ou candidatura própria? Indefinição aumenta divisão do PL de Minas

Nikolas Ferreira chegou a defender a candidatura de Mateus Simões (PSD) ao governo de Minas, mas correligionários se incomodaram com a perspectiva e defenderam, nos bastidores, uma cisão com o projeto de continuidade da gestão de Romeu Zema

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Caporezzo (deputado estadual PL/MG) • Ramon Bitencourt / ALMG

O apoio dividido dentro do PL para a candidatura ao Governo de Minas Gerais aprofundou fraturas no partido, que hoje tenta conter uma unidade ou em um nome próprio para o Palácio Tiradentes, ou apostar suas fichas no senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não deu sinais claros de que vai concorrer nas eleições deste ano.

O PL estuda ainda lançar nomes como o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe ou o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli ao pleito. O principal conflito ocorreu devido à atuação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em prol do afilhado político de Romeu Zema (Novo) e governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD).

Com diversas agendas em comum nos últimos meses – que findaram após as críticas abertas de Zema a Flávio Bolsonaro no caso do áudio divulgado pelo “The Intercept Brasil” entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro – o parlamentar trabalhava internamente no partido para fortalecer a ideia de apoiar Simões.

Contudo, correligionários se incomodaram com a perspectiva e defenderam, nos bastidores, uma cisão com o projeto de continuidade da gestão de Romeu Zema. Interlocutores relataram à coluna Poder em Minas uma tentativa de “interferência” de Nikolas nos planos da legenda no estado, além de falta de comprometimento de Simões com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Vocal crítico da possibilidade de aliança entre o PL e o PSD, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) chegou a discordar da opinião de alguns colegas de legenda, que acreditam que Nikolas foi “usado” por Simões em algumas ocasiões para ganhar projeção, especialmente na aproximação feita com a categoria da segurança pública.

Nikolas se reuniu com Simões e representantes da classe em evento fechado em Belo Horizonte para discutir uma promessa feita por Simões durante o Dia de Tiradentes, de que desenterraria, na Assembleia, a PEC 40, que concede reajustes inflacionários anuais à segurança pública.

“Nikolas Ferreira é um homem de 30 anos de idade, pai de família e com inteligência suficiente para não ser ‘usado’ por ninguém. Apesar de representar os jovens, ele é um adulto bem crescido que tem um trabalho de grande alcance e que responde plenamente pelos seus atos”, disparou Caporezzo.

“Eu fui o primeiro a divergir abertamente dele pela aproximação com o Mateus Simões e sei do esforço que ele promoveu até mesmo para aproximar o atual governador de Minas da segurança pública (que foi tão maltratada e enganada nos últimos 8 anos)”, acrescentou o parlamentar.

Caporezzo expõe o racha no partido e diz que Nikolas “não consultou” nenhum dos colegas que são policiais, citando deputados estaduais com histórico de militância na área, como Sargento Rodrigues.

“Agora, eu vejo esse afastamento de Nikolas com Simões como uma consequência da falta de viabilidade eleitoral do kassabista mineiro. Comemoro a composição do PL com o Senador Cleitinho por entender que ele, dos nomes que estão postos, é o melhor para Minas e tenho certeza que o Nikolas poderá contribuir muito mais estando focado nessa nova conjuntura eleitoral”, finalizou.

A reportagem procurou a assessoria de Nikolas Ferreira, que não retornou. O espaço continua aberto.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.