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PL que previa instalação de totens com botão de emergência em pontos de ônibus é barrado na Câmara

O objetivo era garantir a segurança dos usuários, com foco na proteção das mulheres contra assédio e violência no transporte coletivo

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Projeto que previa totens de segurança com botão de emergência foi barrado na Câmara de BH
Projeto que previa totens de segurança com botão de emergência foi barrado na Câmara de BH • Divulgação/Emdec

A Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara Municipal de Belo Horizonte barrou um projeto de autoria da vereadora Janaina Cardoso (União Brasil), que previa a instalação de totens de segurança com botões de emergência em pontos de ônibus. O objetivo era garantir a segurança dos usuários, com foco na proteção das mulheres contra assédio e violência no transporte coletivo. A proposta previa comunicação direta com a Polícia Militar e Guarda Municipal.

Um parecer de inconstitucionalidade, redigido pelo vereador Ville (PL), foi aprovado, diante da justificativa que a responsabilidade de combater casos de assédio ou violência contra mulheres compete ao estado, e o município tem responsabilidade apenas em atos de prevenção.

“Em continuidade desta relatoria, um ponto a observar também é a respeito do impacto orçamentário que o projeto de lei trará ao município de Belo Horizonte, violando as formalidades legais exigidas para a criação de despesas orçamentárias. O projeto de lei não especifica detalhadamente a fonte de recursos e o impacto orçamentário da instalação dos totens de segurança, o custo financeiro dos gastos para o município, o que poderia ser considerado um vício formal, especialmente em um contexto de restrições fiscais e orçamentárias que os municípios enfrentam” finalizou.

Diante do parecer pela inconstitucionalidade do texto na Comissão de Legislação e Justiça, a vereadora Janaina Cardoso, em entrevista à Itatiaia, chamou o parecer de burocrático e machista, afirmando que outros projetos de proteção às mulheres já foram barrados na casa.

“Recebeu parecer de inconstitucionalidade na Comissão de Legislação e Justiça, com um argumento burocrático e até machista, vindo de vereadores que já se posicionaram contra pautas importantes para a proteção das mulheres. Votar pela inconstitucionalidade e alegar suposto vício formal, como falta de detalhamento do impacto do orçamento e a competência do Executivo, a meu ver, não considera que o município pode firmar parcerias, convênios e viabilizar o projeto, como já acontece em outras cidades, como São Paulo” afirmou.

A vereadora afirmou ainda que, apesar da rejeição do texto pela comissão, vai manter o projeto como uma indicação ao executivo para implantar a ideia.

São Paulo tem projeto em parceria com empresa de publicidade

Em 2024, foram implantados 10 pontos de ônibus em São Paulo em uma parceria entre a empresa Eletromidia, a agência AlmapBBDO e a Prefeitura de Campinas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Secretaria de Transportes (Setransp).

Painéis de mídia foram transformados em pontos iluminados e sinalizados, que possuem uma comunicação com uma rede de atendentes que podem direcionar de forma imediata à polícia casos de violência contra mulheres e assédio.

Segundo dados da Prefeitura de Campinas, em um ano de funcionamento, foram 1.149 acionamentos, e 727 chamados abertos na polícia.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.