PF, PGR e defesa de Vorcaro contestam reportagem sobre suposta delação envolvendo filme de Lula
Órgãos afirmam que ex-banqueiro não prestou depoimento com o conteúdo divulgado e negam entrega de documentos sobre o suposto financiamento do documentário; Os advogados de Daniel Vorcaro também divulgaram nota rebatendo a reportagem

A Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro contestaram, nesta sexta-feira (9), informações divulgadas pela revista Veja sobre uma suposta colaboração premiada envolvendo o financiamento do documentário Lula, dirigido por Oliver Stone.
Em notas oficiais, a PF e a PGR afirmaram que Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito na reportagem e que não apresentou documentos ou anexos relacionados ao suposto repasse de recursos para a produção do filme durante as tratativas para um acordo de delação premiada.
A reportagem da revista atribui ao ex-banqueiro declarações segundo as quais ele teria financiado o documentário em troca de acesso a fundos de pensão ligados ao governo. Segundo os órgãos responsáveis pela investigação, porém, essas afirmações não constam de qualquer depoimento prestado às autoridades.
Em nota, a Polícia Federal informou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa de Daniel Vorcaro não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais previstos para esse tipo de acordo.
A corporação também ressaltou que o ex-banqueiro não prestou depoimento com o conteúdo mencionado pela publicação nem entregou documentos ou informações com esse teor.
Além disso, a PF informou que recebeu uma notícia-crime pedindo providências para apurar os fatos relacionados à divulgação da reportagem. O pedido foi encaminhado ao setor técnico responsável pelas investigações.
A Procuradoria-Geral da República também negou que tenha ouvido Daniel Vorcaro durante as negociações da colaboração premiada.
Segundo a PGR, todas as tratativas ocorreram exclusivamente por meio dos advogados do investigado e não houve contato direto entre o ex-banqueiro e integrantes do Ministério Público Federal.
O órgão explicou ainda que, como a proposta de colaboração acabou rejeitada, não chegou a ser realizado qualquer depoimento formal de Vorcaro.
A Procuradoria afirmou que o procedimento permanece protegido por sigilo legal e, por esse motivo, não comentou o conteúdo dos documentos apresentados pela defesa.
Defesa questiona autenticidade do material
Os advogados de Daniel Vorcaro também divulgaram nota rebatendo a reportagem. A defesa afirmou que não reconhece a autenticidade, a origem ou a integridade do material divulgado e destacou que o ex-banqueiro não prestou depoimentos à Polícia Federal nem à Procuradoria-Geral da República sobre o assunto durante as negociações da colaboração premiada.
Segundo os advogados, qualquer documento relacionado às tratativas esteve restrito às autoridades responsáveis pelo procedimento, que possuem obrigação legal de preservar o sigilo.
AGU anuncia medidas
Após a divulgação da reportagem, a Advocacia-Geral da União informou que solicitará direito de resposta e a retificação das informações publicadas.
O órgão também afirmou que avalia a adoção de outras medidas judiciais, caso considere necessário, para contestar o conteúdo divulgado.
Com as manifestações da PF, da PGR e da defesa de Daniel Vorcaro, a controvérsia passa a girar em torno da origem e da autenticidade do material citado na reportagem, enquanto o caso segue sem confirmação oficial por parte das autoridades responsáveis pelas investigações.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



