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Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emendas com condenado por morte de Marielle Franco

A Polícia Federal (PF) investiga a negociação de emendas parlamentares em 2023 entre uma assessora de Flávio Bolsonaro e Robson Calixto, miliciano condenado no caso Marielle Franco

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Flávio Bolsonaro (PL) é candidato à Presidência da República • Charles Vieira/ Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) deflagrou em julho uma investigação que aponta a negociação de emendas parlamentares em 2023 entre uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e um miliciano. Ele foi condenado neste ano no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) por organização criminosa.

Segundo a investigação, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro convidou Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, para participar de um evento com Flávio Bolsonaro. O objetivo seria permitir que Calixto fizesse cobranças pessoalmente ao senador. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmadas pela CNN.

A PF apura ainda se emendas enviadas a entidades ligadas aos irmãos Brazão, também condenados pelo assassinato de Marielle, foram desviadas. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A apuração da Polícia Federal identificou que uma das entidades investigadas recebeu R$ 199 mil de emenda destinada por Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). Em nota, o senador diz que a “emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte”.

“A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Calixto acabou preso preventivamente dois meses depois e, em julho passado, foi alvo de novo mandado de prisão. No telefone do miliciano, o contato da assessora do senador estava salvo como "Fafá Flávio Bolsonaro".

Trocas de mensagens evidenciam, na avaliação de investigadores, que a assessora atuava como “interlocutora direta de Robson Calixto no gabinete senatorial”.

Em uma conversa de novembro de 2023, Robson Calixto pediu auxílio a Maria de Fátima: "Amiga não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto". Em resposta, ela disse: "Reforça o pedido com o senador".

Além do projeto do instituto, a PF investiga o envio de cerca de R$ 400 mil para o município de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. O valor total, repassado via emenda a uma organização alvo de investigação, seria de R$ 599.128,00.

 

 

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