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PF aponta comissão de 0,6% sobre aportes do RioPrevidência no Banco Master

PF suspeita que empresa ligada a operador recebeu comissão sobre aportes bilionários do RioPrevidência em produtos financeiros do Banco de Daniel Vorcaro

Por, Brasília
Cláudio Castro (PL), ex-governador do RJ
Cláudio Castro (PL), ex-governador do RJ • Alan Santos/PR

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero revela que a Polícia Federal identificou indícios de cobrança de comissão de 0,6% sobre os aportes realizados pelo RioPrevidência em produtos ligados ao Banco Master. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), é um dos alvos da operação realizada nesta terça-feira (26).

Segundo a investigação, o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues atuava na captação de recursos de regimes próprios de previdência para aplicação em Letras Financeiras do banco controlado por Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens reproduzidas na decisão, Ricardo afirma ao banqueiro que o Banco Master havia se tornado “o segundo maior captador de LF nesse período” após atingir metas em apenas 45 dias.

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a Polícia Federal suspeita que os repasses ligados à comissão de 0,6% eram operacionalizados pela empresa Mídias Promotora Ltda., vinculada a Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como operador financeiro e captador de recursos para o Banco Master.

A investigação afirma que a empresa teria sido usada para “receber e distribuir comissões relacionadas à captação de recursos junto a regimes próprios de previdência”, especialmente do RioPrevidência.

No entanto, a decisão não detalha nominalmente quem seriam os destinatários finais desses valores. A PF sustenta que a estrutura pode ter servido para “ocultação e dissimulação das vantagens indevidas” e para o “repasse de valores aos agentes envolvidos”.

A investigação apura supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades contra o sistema financeiro nacional. Segundo a PF, entre 2023 e 2025, o RioPrevidência direcionou cerca de R$ 3 bilhões para produtos financeiros ligados ao Banco Master.

A defesa dos alvos da operação ainda não foi localizada para se manifestar a respeito do caso. O espaço segue aberto.

Nova fase da operação

Ao autorizar a nova fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra oito alvos apontados pela Polícia Federal como integrantes do suposto esquema envolvendo recursos do RioPrevidência e o Banco Master.

Os mandados foram autorizados contra:

  • Cláudio Castro
  • Ricardo Siqueira Rodrigues
  • Deivis Marcon Antunes
  • Eucherio Lerner Rodrigues
  • Pedro Pinheiro Guerra Leal
  • Fernanda Pereira da Silva Machado
  • Mídias Promotora Ltda.
  • Planner Corretora de Valores S.A.

A decisão também autorizou a apreensão de celulares, computadores, documentos físicos e digitais, agendas, registros contábeis, e-mails, mensagens armazenadas em nuvem e outros dispositivos eletrônicos relacionados à investigação.

Além disso, a PF recebeu autorização para apreender dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, obras de arte, joias, veículos e itens de luxo considerados compatíveis com os crimes investigados ou sem origem financeira justificada.

O ministro também permitiu o acesso forense a dados telemáticos e contas virtuais dos investigados, incluindo arquivos armazenados em serviços de nuvem, além da realização de buscas pessoais em pessoas presentes nos locais das operações caso houvesse suspeita de ocultação de provas.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio