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Oposição critica privatização da Cemig e da Copasa em audiência pública na ALMG: 'projetinho'

Na interpretação dos deputados Beatriz Cirqueira e Leleco Pimentel, o ato do vice-governador, Mateus Simões, de anunciar o PL sozinho, sem a presença de Zema, na ALMG, foi uma manobra política, visando a continuidade do governo em 2026

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Renato Simões, Secretário Nacional de Participação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, também esteve presente na audiência • Reprodução | TV Assembleia.

Uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (22) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, discutiu sobre a necessidade do plebiscito, após o vice-governador, Mateus Simões (Novo), protocolar um projeto de lei que prevê a privatização da Copasa e da Cemig.

O deputado Leleco Pimentel (PT), membro da Comissão de Participação Popular, disse, durante a audiência, que a presidência e a representação da Cemig "ficam de joelhos" ao governador Romeu Zema (Novo), se referindo a outra discussão que aconteceu este ano sobre novas ligações de energia do programa Luz para Todos, criado no governo Lula (PT), em 2003, e interrompido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A deputada continua dizendo que, nessa intenção de ser um possível candidato ao governo de Minas Gerais, Simões teve "seus 15 segundos de fama" com o anúncio do PL. "Veio com projetinho debaixo do braço. Olha a tática de comunicação! A humildade, a simplicidade. Veio aqui [ALMG] porque está em exercício, ninguém pode parar de trabalhar, pois são homens do trabalho. Então veio protocolar um projetinho simples para contribuir para melhor eficiência do estado", ironizou.

Renato Simões, Secretário Nacional de Participação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, acompanhou a audiência pública criticou a ideia do governador de transformar a Cemig em uma corporation. "Se tira da competência do estado, transforma o assunto em outro, e transfere ao governo federal, ou para a esfera federal, fugindo da competência, da participação social na defesa. Foi fruto dessa resistência de Minas Gerais, inclusive, a essa ordem neoliberal que se inscreveu o artigo 14 da Constituição do estado, prevendo o referendo", disse.

No Estado, há uma lei, de iniciativa do então governador Itamar Franco, que garante a realização de um referendo popular para autorizar a negociação de uma empresa pública estadual. Em 2023, o executivo enviou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tirava essa exigência e também diminuía o número de votos necessários para aprovar a venda de estatais. Atualmente, é preciso de pelo menos 48 votos favoráveis, dos 77 parlamentares, para uma ideia ser aprovada. O governo Zema queria reduzir a quantidade mínima para 38.

A PEC foi retirada de pauta

O secretário também comentou sobre o indiciamento de 37 pessoas, incluindo o ex-presidente e membros do governo Bolsonaro, pela tentativa de golpe de estado. "A democracia está na boca do povo, está no Jornal Nacional, pois se abriu a podridão do esgoto do golpe para que as pessoas possam ver o que é fascismo, o que é o autoritarismo, o totalitarismo e qual é o risco que vivemos hoje se não houver democracia, se não houver participação" enfatizou.

Além dos deputados, outras lideranças sindicais da Cemig e da Copasa e de movimentos sociais estiveram presentes na discussão. Emerson Andrade Leite, coordenador-geral do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais, disse que Simões transformou a entrega do PL em uma "propaganda para uma futura candidatura ao governo de Minas Gerais". "A proposta já era totalmente conhecida, de certa forma, já era debatida na casa, mas ele trouxe como se fosse um evento novo, se aproveitando do momento em que ele era o governador em exercício para criar um fato político e atrair os holofotes para si", afirmou.

Ainda durante a reunião, na ALMG, o deputado Leleco Pimentel alfinetou os colegas que estiveram presentes no casamento do parlamentar Doorgal Andrada (PRD) em Trancoso, na Bahia. Todos os 77 deputados foram convidados, porém, nem todos estiveram presentes nos quatro dias de festa — as celebrações começaram na quarta-feira (20) e devem terminar no sábado (23).

"Os deputados de luta, eu sei onde estão. Beatriz Cerqueira [que ainda não tinha chegado à audiência], Betão (PT), o bloco Democracia e Luta, a gente sabe de muitas agendas, mas a grande maioria está em um casamento, lá nas bandas da Bahia, bem badalado. Queremos desejar aos noivos muita saúde e alegria, no entanto, nós preferimos manter este compromisso de hoje, que é o compromisso da luta", declarou.

Na audiência, foi anunciado, também, que em 7 de fevereiro do próximo ano será instituído o Fórum Estadual de Participação Social.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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