Oposição cobra afastamento de Alexandre de Moraes em inquéritos envolvendo Bolsonaro
Ministro, que é o relator das ações envolvendo a tentativa de golpe de estado, também figura na ação como suposta vítima de uma trama para assassiná-lo

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), da condução do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado que foi supostamente tramada por aliados e pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro após sua derrota nas eleições de 2022.
Segundo Marinho, que foi ministro do Desenvolvimento Regional entre os anos de 2020 a 2022, no governo Bolsonaro, a participação de Moraes compromete a imparcialidade do processo, já que o ministro é, ao mesmo tempo, relator, vítima e responsável pela condução das investigações.
"O que nós queremos é que haja isenção, transparência e celeridade", declarou Marinho. Ele argumenta que a atuação de Moraes no caso fere princípios constitucionais. "Já há um pré-julgamento, feito inclusive por aqueles que deveriam zelar pela Constituição brasileira. O ministro Alexandre de Moraes não tem nenhuma isenção para fazer esse julgamento, uma vez que ele é a suposta vítima, acusa, prejulga e, no final, dará uma sentença", afirmou.
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Além de Moraes, também estavam na mira o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin. Entre novembro e dezembro, os alvos e suas equipes de segurança foram monitorados pelos militares.
Gilmar Mendes defende permanência de Moraes no caso
Por outro lado, ministros do STF têm defendido a atuação de Moraes. O decano da Corte, Gilmar Mendes, destacou que afastar o relator seria criar uma brecha para comprometer a atuação de todo o Supremo.
"Desde sempre, o ministro Moraes tem sido relator desse processo e, por isso, tem sido vítima desses ataques. Seria absurdo afastá-lo por isso em um tribunal que tem apenas 11 ministros", argumentou Mendes. Ele acrescentou que outros membros do tribunal, incluindo ele mesmo, também foram alvos de ataques em diferentes ocasiões.
O ministro destacou ainda a necessidade de aprofundamento das investigações sobre os episódios de dezembro de 2022 e janeiro de 2023, considerando que muitos elementos da trama golpista ainda não foram esclarecidos.
Segundo Mendes, seria um equívoco enfraquecer a condução do inquérito, que considera central para garantir a responsabilização dos envolvidos.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio


