Mulheres negras no Brasil representam quase metade das empreendedoras, diz governo
Programa do Ministério do Empreendedorismo oferece 5 mil vagas para capacitação em inteligência artificial; metade delas será destinada a mulheres negras

O Brasil tem mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras. Desse total, cerca de 4,7 milhões são mulheres negras que atuam em micro, pequenas e médias empresas, segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP).
Uma delas é Mayrla Silva, de 28 anos. Moradora de Planaltina, no Distrito Federal (DF), ela criou há seis anos a Iniciativa Ela Comunicação e Ativismo, empresa da área de comunicação que atualmente emprega 12 mulheres, a maioria mães solo.
Formada em comunicação, Mayrla decidiu abrir o próprio negócio depois de perder o emprego durante a pandemia. Na época, tinha um bebê de seis meses. Segundo ela, a dificuldade para conseguir uma nova colocação após se tornar mãe contribuiu para a decisão de empreender.
“Percebi que o marketing digital estava em alta, fui pedir emprego a uns amigos donos de agência e levei negativas. Pensei: ‘Nada me difere desses manos, sou até mais profissional que eles e vou abrir minha empresa’”, contou.
De acordo com Tatiana Severino de Vasconcelos, secretária-executiva adjunta do MEMP, mulheres enfrentam dificuldades específicas para ampliar seus negócios. Entre os fatores citados estão a conciliação entre trabalho e responsabilidades domésticas e familiares, a dificuldade de acesso a redes de relacionamento e novos mercados e as barreiras para obtenção de crédito.
O ministério também aponta uma diferença na distribuição das empreendedoras negras conforme aumenta o porte das empresas. Segundo a pasta, elas estão mais concentradas nos pequenos negócios e têm participação menor em empresas de maior porte.
Curso oferece capacitação em inteligência artificial
Para capacitar mulheres que já empreendem ou pretendem abrir um negócio, o MEMP lançou, em parceria com o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), o projeto Impacto Feminino – Inteligência Artificial para Pequenos Negócios (Ela Pode IA).
O curso é gratuito e oferece 5 mil vagas. Metade delas, 2.500, será destinada a mulheres negras. As aulas começam em 1º de setembro e serão realizadas de forma on-line.
A programação terá 10 aulas e 10 mentorias, com conteúdos voltados ao uso de inteligência artificial em atividades como gestão financeira e de clientes, marketing, precificação, formação de portfólio, vendas e comunicação.
Segundo Tatiana, a expectativa do ministério é que a tecnologia seja utilizada para aumentar a produtividade dos pequenos negócios.
“Permite que ela [a empreendedora] ganhe escala no negócio sem contratar mais funcionários, que é uma limitação do microempreendedor”, afirmou.
Mayrla já utiliza ferramentas de inteligência artificial na empresa. Segundo ela, a tecnologia é empregada tanto em tarefas operacionais quanto em atividades estratégicas, como produção de conteúdos e mensagens para clientes.
“Não substitui a profissional, mas ajuda ela a entregar algo mais redondo, aprovável”, disse.
Ao final da formação, 50 participantes que apresentarem melhor desempenho nas aulas ou em seus negócios poderão participar de um edital para concorrer a R$ 1 mil em capital destinado à implementação do aprendizado. Os critérios para seleção serão divulgados durante o curso.
Como se inscrever
As inscrições para o projeto Impacto Feminino – Inteligência Artificial para Pequenos Negócios Liderados por Mulheres estão abertas pelo portal do Ministério do Empreendedorismo.
São 5 mil vagas, sendo 2.500 destinadas a mulheres negras. Podem participar mulheres que já tenham um negócio e também aquelas que ainda não empreendem.
As aulas começam em 1º de setembro. A formação é gratuita e on-line, com 10 aulas e 10 mentorias.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



