Moraes vota para tornar policiais réus por obstrução nas investigações do caso Marielle
Ministro do STF entendeu que há indícios suficientes para abertura de ação penal contra três policiais acusados de atrapalhar apurações sobre o assassinato da vereadora

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (15) para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra três policiais acusados de obstrução de Justiça e associação criminosa nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Os denunciados são Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, Giniton Lages e Marco Antonio de Barros Pinto. O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte, modalidade em que os ministros apenas registram os votos no sistema eletrônico. A análise seguirá até o dia 22 de maio.
Neste momento, o STF analisa apenas se a denúncia apresentada pela PGR reúne indícios mínimos de autoria e materialidade para abertura da ação penal. Caso a maioria acompanhe Moraes, os três policiais se tornarão réus e passarão a responder formalmente ao processo criminal no Supremo.
Segundo a denúncia, os policiais integrariam uma organização criminosa formada por agentes da Polícia Civil e outros integrantes das forças de segurança que atuavam para garantir a impunidade de homicídios ligados a milícias e grupos criminosos no Rio de Janeiro.
De acordo com a acusação, o grupo exercia influência direta ou indireta sobre investigações envolvendo disputas territoriais e atividades ilícitas, como exploração de jogos ilegais e atuação de milícias.
No caso específico de Marielle Franco, a PGR sustenta que Rivaldo Barbosa — então diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio — teria aderido previamente ao plano de execução da vereadora e assumido o compromisso de assegurar a impunidade dos envolvidos no crime.
O julgamento ocorre menos de três meses após a Primeira Turma do STF condenar os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por serem apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.



