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Marinho diz que STF foi ‘sem noção’ e ‘deplorável’ ao reagir à CPI do Crime Organizado

Em entrevista à Rádio Itatiaia, o senador comentou sobre as reações dos ministros do STF, que tiverem seus nomes citados no relatório final da CPI

Por e , Brasília
Senador Rogério Marinho
Senador Rogério Marinho • Valter Campanato/Agência Brasil

O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a reação do Supremo Tribunal Federal (STF) diante do relatório da chamada CPI do Crime Organizado. Segundo ele, a resposta de ministros da Corte foi “deplorável e sem noção”, ao comentar manifestações públicas de integrantes do tribunal sobre o conteúdo do documento. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (16).

Marinho afirmou que o relatório, embora pudesse ter dado mais ênfase à responsabilização de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, é uma prerrogativa do Congresso Nacional. Para o senador, a reação de ministros do STF, incluindo falas sobre possíveis punições a parlamentares e questionamentos ao funcionamento da comissão, representaria uma interferência entre os Poderes.

“O Supremo não pode se comportar como se fosse o Legislativo”, afirmou ele.

O parlamentar também fez uma analogia com a obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell, para criticar o que classificou como atuação desigual de autoridades brasileiras. Segundo ele, há no país uma percepção de que “alguns cidadãos se acham acima da lei”.

A CPI do Crime Organizado

O texto votado no Congresso pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República (PGR): Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Paulo Gonet, por suposto crime de responsabilidade.

A CPI rejeitou o relatório final de Alessandro Vieira por 6 votos a 4, no último dia de funcionamento do colegiado, instalado em novembro de 2025 para investigar a atuação de facções criminosas e milícias no país.

A votação foi marcada por uma mudança na composição da comissão horas antes da deliberação. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), que indicavam apoio ao relatório, foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo. Nos bastidores, parlamentares admitiram que a alteração foi determinante para a rejeição do parecer.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.