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Lula em Montes Claros: ‘Seria fácil governar só para uma pequena parte da sociedade’

Presidente afirmou que seu governo manterá o foco em melhorar a vida da população mais carente e cobrou aprovação da reforma no Imposto de Renda

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Presidente Lula cobrou a aprovação do projeto que isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil  • Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (7), durante cerimônia de anúncio de investimentos em uma farmacêutica em Montes Claros, no Norte de Minas, que seu governo se preocupa com a parte da sociedade brasileira que mais precisa do Estado.

Em queda nas pesquisas de popularidade, inclusive entre os mais pobres, Lula avaliou que seria fácil governar o país agradando a classe mais alta, mas que esse não é o objetivo de sua gestão. “Um país é muito fácil de ser governado se você resolver governar só para uma pequena parte da sociedade”, disse Lula.

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“Você tem uma grande maioria que está abaixo de R$ 5 mil, que sobrevivem trabalhando o dia inteiro, uma base que sustenta o nosso país. Então, se você quer governar para todo mundo, você começa a ter problemas com os que ganham mais”, continuou.

O presidente defendeu a aprovação do projeto de lei que garante a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O texto está em tramitação no Congresso Nacional e também foi citado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em discurso em Montes Claros.

“Nós estamos tentando livrar do pagamento do IR aqueles que ganham até R$ 5 mil, e reduzir para quem ganha entre R$ 5 e R$ 7 mil. Estamos fazendo que a compensação seja fazer com que 141 mil brasileiros paguem um pouco mais do que pagam. Quem ganha mais de R$ 1 milhão por ano? Quem ganha menos de R$ 1 milhão por ano? No Brasil, antes de fazer essa política tributária, a verdade é que o dono do banco Itaú ou do Bradesco, se ele entrar no supermercado para comprar um alimento e um trabalhador que ganha R$ 1 mil, eles vão pagar o mesmo imposto de renda. Não é correto. Não é justo. O que estamos fazendo é tentar fazer um pouco de justiça social”, disse Lula.

O presidente participou, junto com vários ministros e parlamentares, do evento que marca o anúncio, por parte da Novo Nordisk, do plano de expansão de sua unidade na cidade mineira.

'Estabilidade e previsibilidade'

O presidente citou carências históricas do Estado brasileiro e afirmou que o povo pobre sempre foi excluído das políticas públicas no Brasil.

“Vi o sorriso estampado na cara das pessoas que trabalham nesta fábrica. É isso que a gente deseja. Não tem nada mais gratificante do que trabalhar e com esse trabalho levar o dinheiro para sustentar sua família. Ninguém quer viver de favor, ninguém quer viver recebendo apenas o Bolsa Família. É por isso que sou fanático em dizer para todo mundo: muito dinheiro na mão de poucos significa miséria, analfabetismo e gente na rua. Agora, pouco dinheiro na mão de muitos significa desenvolvimento, crescimento econômico e distribuição de renda", disse Lula.

“O Estado nunca se preocupou com a formação do povo. Esse país durante quatro séculos viveu explorando negros e indígenas. Estamos fazendo uma revolução. E quando uma fábrica como esta vem para cá, nós oferecemos estabilidade política, exercício da democracia, estabilidade jurídica, econômica e social. E a previsibilidade. O senhor que vem fazer um investimento de R$ 6,4 bilhões acredita que o país tem condições para ele fazer isso", concluiu o presidente.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.