Lula diz que recusou deixar prisão com tornozeleira eletrônica para provar inocência
Presidente afirma que recebeu proposta para cumprir prisão domiciliar, mas rejeitou a oferta por considerar que isso colocaria em dúvida sua inocência; petista também reconheceu casos de corrupção revelados pela operação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante participação em um podcast na noite desta quinta-feira (30), que recusou uma proposta para deixar a prisão e cumprir pena em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica porque queria provar sua inocência nas investigações da Operação Lava Jato.
Segundo Lula, a oferta foi feita enquanto ele estava preso, mas ele optou por permanecer na cadeia até reverter as condenações na Justiça: "Eu recebi uma proposta para ir para casa com tornozeleira eletrônica. Eu me recusei. Eu não troco a minha dignidade pela minha liberdade. Eu vou provar a minha inocência."
O presidente afirmou ainda que acreditava, desde o início da Lava Jato, que a operação tinha como objetivo atingir sua imagem e impedir sua candidatura à Presidência da República: "A minha obsessão era provar que eu era inocente. A minha obsessão era provar que a Lava Jato tinha sido a maior mentira desse país."
Durante a entrevista, Lula voltou a afirmar que nunca foi proprietário do apartamento triplex no Guarujá, processo que resultou em sua condenação na Lava Jato posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente disse que seus acusadores nunca conseguiram comprovar a propriedade do imóvel.
Ao ser questionado sobre os casos de corrupção revelados durante a operação, Lula reconheceu que houve irregularidades, mas afirmou que os responsáveis foram punidos e criticou a forma como a investigação atingiu grandes empresas brasileiras: "Houve corrupção, e a corrupção foi provada. Os caras pagaram o preço. Houve julgamento. As pessoas foram punidas."
Na avaliação do presidente, a Lava Jato extrapolou ao provocar o enfraquecimento de grandes empreiteiras nacionais, o que, segundo ele, resultou na perda de milhões de empregos: "Você prende o corrupto. O que eles tentaram fazer foi quebrar as empresas. Todas essas empresas foram destruídas. Poderiam ter prendido os donos e deixado as empresas funcionando."
Lula também voltou a atribuir motivação política à operação e afirmou que foi impedido de disputar as eleições de 2018 porque liderava as pesquisas de intenção de voto. O presidente disse ainda que recebeu sugestões para deixar o Brasil durante as investigações, mas afirmou que nunca cogitou essa possibilidade por querer demonstrar sua inocência perante a Justiça.
As condenações impostas a Lula no âmbito da Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os processos e, posteriormente, declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


