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Lula assume presidência do Mercosul; saiba quais são as prioridades

Criação da moeda comum, fechamento de acordo com União Europeia e inserção da Bolívia no bloco estão na lista da gestão brasileira.

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Lula assume presidência do Mercosul
Lula assume presidência do Mercosul  • Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, nesta segunda (4), a presidência do Mercosul pelos próximos seis meses. No discurso, Lula listou as prioridades da gestão brasileira que termina no fim do ano. O petista disse que está comprometido em fechar um acordo equilibrado com a União Europeia e que o Mercosul não tem interesse em ser condenado à exportação de comodities.

União Europeia

"Estou comprometido com a conclusão do Acordo com a União Europeia, que deve ser equilibrado e assegurar o espaço necessário para adoção de políticas públicas em prol da integração produtiva e da reindustrialização. O Instrumento Adicional apresentado pela União Europeia em março deste ano é inaceitável. Parceiros estratégicos não negociam com base em desconfiança e ameaça de sanções. É imperativo que o MERCOSUL apresente uma resposta rápida e contundente. É inadmissível abrir mão do poder de compra do estado – um dos poucos instrumentos de política industrial que nos resta. Não temos interesse em acordos que nos condenem ao eterno papel de exportadores de matéria primas, minérios e petróleo", afirmou Lula.

Bolívia

O presidente brasileiro também reforçou o objetivo de oficializar a entrada da Bolívia no bloco. "Temos urgência para o acesso da Bolívia como membro pleno e trabalharei pessoalmente por sua aprovação no Congresso brasileiro", revelou.

Ampliação de mercados

Lula disse ainda que pretende ampliar as relações comerciais do bloco sul-americano e combater regras de protecionismo ."Precisamos de políticas que contemplem uma integração regional profunda, baseada no trabalho qualificado e na produção de ciência, tecnologia e inovação. Isso requer mais integração, a articulação de processos produtivos e na interconexão energética, viária e de comunicações. Partindo dessas premissas, vamos revisar e avançar nos acordos em negociação com Canadá, Coreia do Sul e Singapura. Vamos explorar novas frentes de negociação com parceiros como a China, a Indonésia, o Vietnã e com países da América Central e Caribe. A proliferação de barreiras unilaterais ao comércio perpetua desigualdades e prejudicam os países em desenvolvimento. Combater o ressurgimento do protecionismo no mundo, implica resgatar o protagonismo do Mercosul na Organização Mundial do Comércio", alfinetou.

Venezuela

Embora o Brasil defenda o retorno da Venezuela ao bloco, o presidente não citou o pais de Nicolas Maduro no discurso. Os venezuelanos estão suspensos porque não cumprirem regras de permanência no grupo, como adoção de uma tarifa externa comum e o respeito a instituições democráticas.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.