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Lei proíbe scroll infinito e exige idade real para crianças na internet

Regra prevista no ECA Digital também veta autoplay em apps, notificações apelativas e exige controle dos pais em redes sociais

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Os irmãos Clara Santana (10) e Pedro Santana (13), são vistos com celular na mão embaixo de um cobertor.Uma a cada 3 crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisaDados foram divulgados pela Unico e Instituto Locomotiva • Joédson Alves/Agência Brasil

O governo federal regulamentou nesta terça-feira (17) o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e passou a proibir mecanismos usados por aplicativos e redes sociais para prender a atenção desse público na internet. A proposta saiu do papel após muita pressão popular e foi batizada informalmente de 'Lei Felca'.

Entre as medidas previstas, estão o veto à rolagem infinita de conteúdo nas redes sociais, à reprodução automática de vídeos - o autoplay - e ao envio de notificações que estimulam o engajamento.

A regulamentação detalha a lei sancionada em 2025 e mira práticas conhecidas como “design manipulativo”, usadas pelas plataformas para aumentar o tempo de uso ao explorar vulnerabilidades do público mais jovem.

Além das restrições a funcionalidades, as empresas terão que adotar sistemas mais seguros de verificação de idade, substituindo a autodeclaração, e oferecer ferramentas de controle parental mais claras.

A nova regra também exige respostas rápidas das plataformas em casos de crimes como aliciamento, assédio e exploração sexual, além de reforçar o bloqueio de conteúdos como pornografia e apostas.

Outro ponto é a proibição das chamadas “caixas de recompensa” (loot boxes) em jogos voltados a crianças e adolescentes, prática associada a estímulos de consumo dentro das plataformas.

Para reforçar a fiscalização, o governo criou um centro nacional, ligado à Polícia Federal, que vai concentrar denúncias de crimes digitais e atuar na remoção de conteúdos ilegais.

Já a Autoridade Nacional de Proteção de Dados será responsável por regulamentar e fiscalizar o cumprimento das novas regras, inclusive no que diz respeito à verificação de idade e à proteção de dados pessoais.

Como parte da estratégia, o governo também anunciou um edital de R$ 100 milhões, por meio da Finep, para financiar soluções tecnológicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes na internet.

O ECA Digital entra em vigor após três anos de discussão no Congresso e busca estabelecer regras para o funcionamento de plataformas digitais com foco na proteção de menores.

Porque Lei Felca?

A regulamentação do ECA Digital ocorre após à forte repercussão do vídeo do youtuber Felca, que reacendeu o debate sobre a exposição de crianças na internet e a atuação das plataformas.

A pressão gerada pelo caso mobilizou parlamentares e acelerou a discussão de propostas no Congresso voltadas à proteção de menores no ambiente digital - tema que vinha sendo debatido há anos, mas ganhou tração após a viralização do conteúdo.

Especialistas e autoridades passaram a cobrar respostas mais rápidas do poder público, o que contribuiu para a regulamentação da lei e a adoção de medidas mais rígidas sobre o funcionamento das plataformas.

PorSupervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio