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Justiça mantém condenação da UFMG por paralisação de obra do Memorial da Anistia

Na decisão, os desembargadores entenderam que ficou comprovado que houve falhas de projeto, indefinições técnicas e inadimplementos por parte da Administração

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Espaço que iria sediar Memorial da Anistia Política está localizado no bairro Santo Antônio, em BH.
Espaço que iria sediar Memorial da Anistia Política está localizado no bairro Santo Antônio, em BH.  • Marcílio Lana | UFMG.

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) rejeitou, por unanimidade, o recurso apresentado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e manteve a condenação da instituição no processo que apura a responsabilidade pela paralisação das obras do Memorial da Anistia Política, em Belo Horizonte.

Nesta terça-feira (4), os magistrados da Terceira Turma do TRF6 reconheceram a “culpa exclusiva da administração” pela interrupção da obra e pelo “desequilíbrio econômico-financeiro” do contrato firmado entre a universidade e a empresa privada Construtora JRN Ltda., vencedora da licitação para erguer o Memorial.

Na decisão, os desembargadores entenderam que ficou comprovado que houve falhas de projeto, indefinições técnicas e inadimplementos por parte da administração, o que resultou na inviabilização da continuidade das obras.

O espaço seria uma das ações de reparação do governo brasileiro às vítimas de violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar.

A proposta previa que o Memorial abrigasse um acervo com 70 mil processos de anistia, além de relatos de ex-presos políticos.

O custo inicial do projeto era de R$ 5 milhões, mas o valor chegou a quase triplicar ao longo da execução.

Em 2017, após a interrupção das obras, a construtora vencedora da licitação ingressou com uma ação na Justiça Federal, pedindo ressarcimento pelos prejuízos decorrentes do projeto, a nulidade das multas impostas pela universidade e o pagamento de lucros cessantes.

Em 2021, uma sentença atendeu parcialmente aos pedidos da empresa, mas a UFMG recorreu da decisão em agosto do mesmo ano.

A Itatiaia procurou a instituição, mas, até o momento, não obteve retorno.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.