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Governo volta a usar receitas extras para fechar contas, enquanto cortes seguem travados

Sem cortar gastos fixos, governo recorre a receitas extraordinárias como lucros do petróleo e vendas pontuais para fechar as contas; especialistas alertam para risco de desequilíbrio fiscal persistente

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva • Ricardo Stuckert/PR

O governo federal liberou nesta semana mais de R$ 20 bilhões para ministérios e programas públicos, utilizando o que chama de "receitas extraordinárias", valores que entram nos cofres públicos de forma pontual e fora da arrecadação tradicional, como:

  • Lucros com petróleo (como os do pré-sal)
  • Leilões de concessões (rodovias, aeroportos)
  • Venda de imóveis ou ativos públicos
  • Dividendos de estatais como Petrobras e BNDES

O problema: despesas obrigatórias crescem e cortes seguem travados

Apesar do reforço no caixa, o governo enfrenta dificuldades para reduzir os gastos fixos, que ocupam a maior parte do orçamento federal. Entre eles estão:

  • Aposentadorias e pensões
  • Salários de servidores
  • Saúde e educação (com pisos constitucionais)
  • Transferências para estados e municípios

Esses gastos são protegidos por lei ou pela Constituição e não podem ser cortados sem aval do Congresso. Com isso, o espaço para ajuste real nas contas é muito limitado.

O arcabouço fiscal e as exceções

O arcabouço fiscal, criado em 2023, define regras para controlar os gastos públicos e evitar o crescimento da dívida. Mas, segundo analistas, o governo tem cumprido essas regras usando exceções e brechas legais, como:

  • Abatimentos de precatórios (dívidas judiciais)
  • Uso de bandas de tolerância para o déficit
  • Contabilização de receitas não recorrentes como se fossem permanentes

Com isso, o déficit previsto para este ano pode ultrapassar R$ 75 bilhões, mesmo com a meta oficial sendo de déficit zero.

O que dizem os especialistas

Economistas, consultores e representantes da indústria defendem que o foco deveria ser o corte de despesas estruturais, e não apenas o aumento de arrecadação. Entre as propostas que ainda não avançaram no Congresso estão:

  • Reforma administrativa (para conter gastos com servidores)
  • Revisão de benefícios previdenciários
  • Mudanças nos pisos de saúde e educação
  • Revisão das regras de programas como seguro-desemprego

Segundo eles, apostar apenas em receitas extraordinárias adia o problema fiscal e compromete a credibilidade do governo.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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