Belo Horizonte
Itatiaia

Governo demite presidente do INSS e nomeia servidora como substituta

Ana Cristina Viana Silveira substitui Gilberto Waller após quase um ano de gestão marcada por escândalo bilionário de descontos indevidos em benefícios

Por, Brasília
O ex-presidente do INSS, Gilberto Waller • Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Gilberto Waller Júnior, foi demitido e substituído nesta segunda-feira (13) pela servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira. A mudança foi anunciada pelo Ministério da Previdência Social.

Waller estava no cargo desde abril do ano passado, quando assumiu após uma operação da Polícia Federal revelar um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões.

 

Waller havia sido nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Alessandro Stefanutto, afastado após operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que revelou o esquema de descontos indevidos.

Em fevereiro deste ano, o então presidente do INSS foi convocado para depor na CPMI que investiga fraudes no instituto, no Senado. Na ocasião, afirmou que o órgão foi o primeiro a adotar medidas contra o Banco Master, negou ter sofrido boicote interno e defendeu a atuação do governo no combate às irregularidades.

Em nota, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, agradeceu a atuação de Waller e afirmou que Ana Cristina tem o “perfil ideal” para iniciar um novo momento no instituto. Segundo ele, a nomeação atende à determinação do presidente Lula de reduzir a fila de benefícios e “não deixar nenhum brasileiro para trás”. O ministro também destacou que a escolha coloca o comando do órgão nas mãos de uma servidora de carreira e amplia a presença feminina na alta cúpula do INSS.

Fila do INSS

Graduada em Direito, Ana Cristina é analista do seguro social desde 2003 e ocupava o posto de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência. Ela assume com a missão de acelerar a análise de benefícios e simplificar processos internos do INSS.

A troca ocorre em meio à preocupação do governo com o tamanho da fila de pedidos aguardando análise no INSS. Considerando apenas os pedidos com espera superior a 45 dias, o INSS tinha mais de 1.7 milhão de requerimentos nessa situação em janeiro deste ano. Em Minas Gerais, o estoque acima de 45 dias somava quase 170 mil pedidos, entre análises administrativas e perícias iniciais. Já o total geral de requerimentos em análise no país — independentemente do prazo — era de 2,6 milhão, além de 380 mil aguardando cumprimento de exigência, segundo o Boletim Estatístico da Previdência Social divulgado em janeiro deste ano pela Secretaria de Regime Geral da Previdência Social.

Para tentar reduzir a fila, o governo também adotou medidas operacionais, como a ampliação do prazo do Atestmed - sistema que permite a concessão de auxílio por incapacidade temporária por análise documental - de 60 para até 90 dias. A Previdência também passou a ampliar o uso da análise documental em outros benefícios, como o auxílio por acidente de trabalho quando há sequelas comprovadas.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio