Gilmar Mendes acusa Zema de ‘hipocrisia’ após ofensiva contra o STF
Ministro diz que ex-governador recorreu à Corte para aliviar dívidas de Minas e acusa uso político do discurso contra o tribunal

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reagiu nesta quarta-feira (15) às declarações do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e classificou como “irônica” a postura do pré-candidato à presidência ao atacar a Corte.
A manifestação foi publicada após Zema defender, na segunda-feira (13), que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes sejam afastados e até presos. A fala ocorreu durante evento com lideranças políticas na Associação Comercial de São Paulo.
"Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não merecem só processo de impeachment, merecem prisão", disse Zema na ocasião.
Em resposta, Gilmar usou o X (antigo Twitter), para afirmar que Zema recorreu ao próprio STF diversas vezes enquanto governava Minas Gerais para obter decisões que permitiram adiar o pagamento de parcelas da dívida do estado com a União. A crítica, nesse mesmo sentido, já havia sido feita pelo decano do STF ao ex-governador de Minas no início de março, também em resposta à acusações contra a Corte.
Segundo o ministro, uma nota técnica do Ministério da Fazenda confirma que o então governador solicitou medidas que suspenderam obrigações bilionárias, evitando um cenário de desorganização fiscal e riscos à continuidade de serviços públicos.
"A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal. Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse. Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de “ativismo judicial” e a ataques à honra dos ministros", disse o decano do STF.
É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal quando convém, mas passa a ser tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme interesses políticos.
É do jogo
O tom adotado por Romeu Zema está alinhado a uma estratégia mais ampla do Partido Novo para as eleições de 2026. A sigla aprovou uma diretriz que orienta candidatos ao Senado a defenderem a responsabilização e até o impeachment de ministros do STF em casos de crime de responsabilidade, abuso de autoridade ou quebra de decoro - discurso que também vem sendo explorado pelo pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A medida reforça o discurso crítico à Corte como eixo de campanha e mira, sobretudo, o eleitorado bolsonarista - que mantém forte rejeição ao Supremo e tem sido alvo de disputa por diferentes candidaturas no campo da direita.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio


