Fuad cobra Gabriel sobre projeto de crédito suplementar e diz que pode faltar dinheiro para Fundeb
Prefeito de Belo Horizonte diz que precisa sancionar projeto que prevê aumento de limite para uso de créditos suplementares para honrar compromissos com servidores e hospítais

O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD) enviou ao presidente da Câmara Municipal, vereador Gabriel Azevedo (sem partido), um ofício cobrando o envio de um projeto de lei já aprovado pelos parlamentares, em dois turnos, que aumenta de 10% para 15% do orçamento a margem para a prefeitura abrir em crédito suplementar para o ano de 2023.
Apesar de aprovado pela maioria dos vereadores no Legislativo municipal, o projeto só se torna lei quando é encaminhado ao prefeito, sancionado, e publicado no Diário Oficial do Município (DOM) - o que ainda não ocorreu.
De acordo com o documento assinado por Fuad, sem o aumento na margem do crédito suplementar, a prefeitura não conseguirá repassar aos professores da educação básica o rateio dos recursos do Fundeb.
"Sem essa alteração legislativa, o Executivo fica impedido de pagar o rateio dos recursos do Fundeb para os profissionais da Educação, estimado em R$ 70 milhões", diz a prefeitura em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira (18).
O prefeito ainda rebate uma declaração de Gabriel Azevedo em que o vereador afirma que a prefeitura tem, em caixa, R$ 360 milhões - mais do que o suficiente para publicar um decreto e viabilizar o pagamento aos profissionais da educação.
"Aproveito a oportunidade para informá-lo que o saldo disponível para suplementações, na data de seu ofício, era de R$231.499.723,51, conforme consta do Decreto nº 18.564, de 14 de dezembro de 2023, e não de R$360 milhões, como equivocadamente divulgado", diz Fuad no documento oficial.
Ainda segundo o prefeito da capital mineira, os R$ 231 milhões estão comprometidos com o pagamento da folha salarial dos servidores públicos e de contratos com fornecedores "que dependem de recebimento de seus créditos para manter em dia a folha de pagamento de seus funcionários".
Ainda segundo Fuad, sem a sanção ao projeto que aumenta o limite de crédito suplementar, hospitais da Rede SUS e fornecedores da secretaria municipal de saúde também poderiam ser afetados com a falta de pagamento.
Na última sexta-feira (15), Azevedo gravou um vídeo em frente à prefeitura para divulgar que havia protocolado um ofício junto ao Executivo municipal para que o prefeito assinasse um decreto para liberar o pagamento do rateio do Fundeb. Foi nesse vídeo que Gabriel cita a cifra de R$ 360 milhões - que ainda poderiam ser utilizados pela PBH - o que foi desmentido pelo prefeito no ofício-resposta à ele.
A reportagem procurou o parlamentar nesta segunda-feira para que ele respondesse ao ofício de Fuad Noman cobrando o envio do projeto para sanção. Em resposta, Azevedo criticou o prefeito pelo fato de ter que utilizar parte do saldo dos créditos suplementares para arcar com a folha de pagamento do funcionalismo.
"O prefeito resolveu começar a falar que vai precisar de créditos suplementares para pagar décimo terceiro e a folha de dezembro dos servidores da prefeitura. O prefeito, então, quando organizou o orçamento, se esqueceu que o ano tem doze meses e que, todos os anos algo óbvio e previsível: o pagamento dos vencimentos e do décimo terceiro é uma obrigação do Executivo e um direito dos trabalhadores. Esquecer disso é governar sem responsabilidade", criticou.
Gabriel não responde se irá enviar o projeto de lei aprovado para que o prefeito o sancione.
"O crédito suplementar existe para arcar com aquilo que não está previsto. Por isso, repito e insisto: Fuad quebrou a cidade. Quer fazer suplementação de algo previsível e vai entrar em 2024 no vermelho pela primeira vez dos últimos dez anos", completou, em referência ao orçamento aprovado pela Câmara na última semana.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.



