Forças de segurança querem ampliar diálogo com Zema por recomposição de 35%
Representantes da classe querem utilizar ‘ponte’ com líder do governo na Assembleia para marcar novas rodadas de conversas

A pressão exercida por representantes das forças de segurança de Minas Gerais sobre o governador Romeu Zema (Novo) pode ganhar novos ingredientes em breve. Isso porque representantes da categoria planejam intensificar as conversas com o poder Executivo sobre a possibilidade de recomposição salarial de 35,44%. Nesta terça-feira (6), o presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, Sargento Rodrigues (PL), afirmou que vai procurar emissários do governo para tratar do tema.
“Vou conversar com o líder de governo, o deputado Gustavo Valadares (PMN), que está no sexto mandato e é experiente. Vou conversar com ele (para que) veja o que é possível abrir de diálogo. Se a gente ouvir, por parte dele, um ‘não’ taxativo, não restará outra solução a não ser convocar nova audiência pública”, disse, à Itatiaia.
Foi em uma audiência pública, aliás, que a relação entre os agentes e o governo estadual sofreu o mais recente acirramento. Nessa segunda-feira (5), durante debate na sede do Legislativo, em Belo Horizonte, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa Barreto, afirmou que a equipe econômica de Zema ainda não encontrou espaço orçamentário para repor a corrosão causada pela inflação nos ganhos de todo o funcionalismo.
Nesta terça, Gustavo Valadares garantiu disposição do governo em manter conversas com entidades classistas, mas condicionou eventuais reajustes à capacidade financeira do poder público.
“A audiência pública de ontem foi apenas mais uma reunião das muitas que teremos, internas ou públicas, onde o governo se fará presente mostrando aos servidores o respeito que tem por eles, mas a necessidade de se gastar menos do que se arrecada”, defendeu.
Nova audiência pública pode acontecer
Segundo apurou a Itatiaia, há a chance de acontecer nova audiência pública sobre o tema ainda neste mês. A posição do Palácio Tiradentes ante as reivindicações dos agentes deixou as tropas descontentes. Por isso, há quem avente a possibilidade de “operação-tartaruga”, em que apenas as funções essenciais são cumpridas.
“É lamentável que a doutora Luísa Barreto, tão competente e capacitada, não tenha tido, ali, uma resposta. Continuamos aguardando. Outra audiência pública será marcada, porque os servidores e os deputados não podem ser feitos de palhaços”, protestou Rodrigues.
Nessa segunda-feira, Luísa Barreto esteve na Assembleia como convidada. Outros representantes do governo também participaram como convidados. Para uma nova audiência, Barreto e Igor Eto, secretário de Estado de Governo, podem ser convocados — o que é interpretado de forma diferente de um convite convencional.
A certa altura da audiência pública, apesar de citar a ausência de recursos para a recomposição salarial imediata, Luísa Barreto garantiu que Zema pediu a confecção permanente de estudos sobre a viabilidade financeira dos aumentos.
“É um compromisso de todos nós buscar essa valorização, que é devida e merecida — mas sempre dentro de nossa realidade financeira. Vamos, o tempo todo, estudar o tema para tão logo a gente tenha espaço financeiro, a gente possa fazer o que é merecido pelos servidores”, prometeu.
Segundo Sargento Rodrigues, a Comissão de Segurança Pública tem quórum suficiente para aprovar as convocações dos secretários, se necessário for.
“Os deputados que lá se encontram (na comissão), oriundos da segurança pública, não terão dificuldades em aprovar os requerimentos, pois eles também estão com cara de tacho, de palhaço, pela resposta dada pela secretária”, assegurou.
Reunião no mês passado desagradou tropas
No início de maio, como mostrou a Itatiaia, representantes do governo sinalizaram, a interlocutores da segurança pública, a intenção de conceder recomposição geral de 5,8% a todo o funcionalismo de Minas. O índice não agradou deputados que representam os agentes.
Oficialmente, no entanto, o governo não trata sequer do 5%. O discurso é que o tamanho da recomposição — e a data de vigência dos eventuais novos vencimentos — ainda estão sendo estudados.
“O governo está debruçado sobre o assunto e assim continuará. Quando tiver novas notícias, trará a público”, sentenciou Gustavo Valadares.
No início do ano passado, servidores da segurança convocaram manifestações e deflagraram a estrita legalidade em articulação que cobrava, justamente, os 35,44%. O movimento cessou após o governo conceder reajuste de 10,06% e dividir, em quatro parcelas um abono para a compra de uniformes.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
