Itatiaia

Filhos, aliados e defesa criticam prazo para prisão domiciliar de Bolsonaro

Declarações apontam incoerência jurídica, questionam decisão e falam em tratamento desigual por parte do ministro Alexandre de Moraes

Por, Brasília
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro • Alan Santos / PR

Filhos, aliados e a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram unânimes ao criticar o prazo de 90 dias fixado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a prisão domiciliar. O principal alvo das reações foi o caráter temporário da medida, que prevê reavaliação ao fim do período.

Em entrevista a CNN, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou a base jurídica da decisão e classificou o formato como atípico.

“Essa domiciliar humanitária temporária não existe. Eu não consigo compreender onde há coerência nessa decisão. Eu classifico ela como exótica”

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Apesar disso, disse que a medida é “um primeiro passo” para que o pai permaneça em casa com acompanhamento da família e de profissionais de saúde.

O filho '02' do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (PL), adotou tom semelhante. Disse estar “extremamente aliviado” com a ida do pai para casa, mas criticou o processo.

“Isso não pode ser tratado como justiça e nem celebrado como tal, frente a um processo repleto de ilegalidades”

Carlos Bolsonaro

Segundo ele, “nenhuma condenação dentro desse cenário pode ser normalizada”.

A defesa também concentrou críticas no prazo. O advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que a concessão só ocorreu após insistência.

“A decisão foi deferida só e somente após a sequência de cinco pedidos e finalmente considerou a saúde debilitada que o presidente apresenta”, disse.

Ele destacou o quadro clínico do ex-presidente, com diagnóstico recente de pneumonia decorrente de broncoaspiração, e comparou o caso a precedentes do próprio STF.

“Restabelece-se a coerência jurisprudencial da Corte, que concedeu a mesma medida ao presidente Collor de Mello em quadro menos gravoso”, afirmou.

Sobre a limitação temporal, foi direto:

“A modalidade ‘temporária’ da prisão domiciliar é singularmente inovadora”, declarou, acrescentando que as necessidades de saúde de Bolsonaro são permanentes.

No Congresso, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também criticou o prazo.
“Ao impor prazo de 90 dias, o ministro ignora seus próprios precedentes e escancara o tratamento desigual”, disse em nota. Para ele, “a prisão domiciliar não é favor, é o mínimo de humanidade”.

Ainda entre aliados, o deputado Domingos Sávio (PL-MG) também criticou a decisão e o prazo fixado por Moraes. “Essa medida não corrige a injustiça contra o presidente Bolsonaro e mantém restrições desproporcionais, que continuam ferindo seus direitos”, afirmou.

Criticas de todos os lados

Do outro lado, dentro da base governista, a decisão também foi critica. Apesar de defender a condenação de Bolsonaro, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) fez críticas à forma como a pena vem sendo executada. Para ele, o caso expõe um padrão desigual no sistema penal brasileiro.

Segundo o deputado, há contraste entre o tratamento dado ao ex-presidente e a realidade de presos comuns. Ele citou que milhares de detentos idosos ou doentes permanecem em condições precárias, sem acesso a benefícios semelhantes.

“A mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”, disse.

Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando

Lindbergh Farias (PT)

A prisão domiciliar foi autorizada por Moraes por razões de saúde e inclui uso de tornozeleira eletrônica, restrições de contato e monitoramento constante. O benefício é temporário e pode ser revogado em caso de descumprimento.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio